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Para o que me havia de dar...

O meu filho Martim descobriu a ópera. Anda pela casa a cantarolar a La donna e mobile e o Sole Mio, com um ar compenetradissimo.
Hoje resolvi dar-lhe a conhecer o Pavarotti,  o Andrea Bocceli e o Plácido Domingo. Dei com este Ave Maria, uma musica que me arrepia da cabeça aos pés, desde sempre.
Foi com esta música que entrei na igreja, no dia em que me casei. Um presente da minha amiga Sara, que nunca esquecerei.Sempre que a ouço recordo esse dia.
Hoje descobri que esta música me leva a memória também para a minha Avozinha. Lágrimas pelos olhos fora. Nó no peito. Tenho saudades tuas avó. Estejas onde estiveres recebe o meu abraço apertado.


Boa pergunta. Boa resposta.




Ó Colega, vá - se coiso, com F.

Ele há dias em que faço um esforço enorme, quase sobrenatural, para não mandar alguns Ilustres Colegas à merda. E quem diz à merda diz para a pata que os pôs. Ou para a puta que os pariu. Ou para o acto de fazerem sexo com eles proprios, que é como quem diz .... acho que já me fiz entender.
Hoje foi um dos dias.

E é isto.

Parabéns Martim

Faz hoje 8 anos nasceste, logo cheio de energia e com sangue na guelra. Eras um bebé lindo de morrer, eras mesmo.
Volvidos estes anos continuas um menino lindo, meigo, esperto e maravilhoso. Um menino que cativa todas as pessoas que contigo se cruzam. O orgulho da mãe.

Hoje, pela primeira vez, estive muito triste no dia do teu aniversario mas tentei que tivesses o teu dia, como mereces. Acho que consegui, a custo, mas consegui. Porque a vida é mesmo assim, mesmo em dias de grande tristeza, em que só  nos apetece chorar, temos que proporcionar a felicidade àqueles que amamos. E a ti, meu amor, amo-te tudo.

Parabens cromo 57.

Avózinha

Querida Avó,

Hoje partiste. Foste em paz, disse o médico. E eu acredito. Quero acreditar que depois destes dias de sofrimento o teu Deus te levou para junto dele, tranquilamente, com serenidade, como mereces. E eu tenho vindo a pedir ao teu Deus, nestes dias, que assim o fizesse. Se calhar ele ouviu as minhas preces, se calhar o teu Deus, no qual com o tempo e com a vida deixei de acreditar – para teu grande desgosto, bem sei –, existe mesmo e olhou por ti, para que parasses de sofrer.

Sabes avó, custa-me muito ver-te partir, saber que não mais te vou ver nem abraçar. Mas custava-me mais, acho, ver-te como tens estado, por isso creio que apesar da tristeza imensa estou mais aliviada. E tu também. Principalmente tu minha avozinha querida.
Nestes dias tenho visto passar à minha frente estes quase quarenta anos, dos quais sempre fizeste parte, em todos os momentos e fases.

Lembro-me da infância, em que me levavas contigo para o trabalho, lá íamos nós no 26, eu toda contente com a minha avó, tu toda contente com a tua neta. Costuravas cuecas para os meus bonecos, exibias-me com orgulho às tuas colegas, lembras-te avó?
Lembro-me do teu arroz doce, o melhor que alguma vez comi e que que comerei em toda a vida, não tenho dúvida. Lembro-me do teu cozido à portuguesa, dos sábados de carapaus assados no fogareiro da varanda, das pataniscas de bacalhau.

Lembro-me do teu fato de banho azul. De teres caído à beira mar com água pelos tornozelos e de nos escangalharmos a rir. Na praia do Carvoeiro. Lembro-me como se fosse ontem.
Lembro-me de ter ficado em tua casa durante 10 dias, quando estava a estudar para entrar na Católica. Levavas-me leite quente antes de ir dormir, que não podia estar a estudar de barriga vazia, e levavas-me o pequeno almoço de manhã…

Lembro-me de durante anos ir a tua casa pelo menos uma vez por semana e ficar a falar contigo horas. Tínhamos ideias e ideais tão diferentes! Mas ouvias-me  e eu a ti. Nunca chegávamos a grande conclusão mas passávamos bons momentos juntas.
Lembro-me de tanta coisa avó, tanta coisa. Foste uma mulher e peras. Sempre aqui para mim, para todos nós. Com o teu feitiozinho soviético, é verdade – o teu filho, meu pai, saiu a ti e eu saí ao teu filho – mas sempre a viver pelos outros, pelo bem estar dos outros. Às vezes até demais.

E agora que partiste avó, apesar de muito triste – que estou – não posso deixar de me sentir uma privilegiada por te ter tido como minha avó e por ter tido comigo durante quase quarenta anos. Não posso deixar de me sentir grata por tudo o que foste para mim, para tudo o que representaste na nossa família, por tudo o que foste. Tiveste dois filhos maravilhosos, que te amam tanto quanto os amaste. Dois filhos que estiveram sempre contigo, de corpo, alma e coração. O meu pai e a minha tia quase mãe. Deves ter um orgulho imenso, eu sei que tens e não é para menos, fizeste um bom trabalho.

E sabes avó, é isso que me enche o coração, saber que sempre foste amada e sempre nos amaste, que sempre tiveste orgulho em nós e sempre nos orgulhaste, que farás sempre parte das nossas vidas porque estarás sempre sempre sempre no nosso coração.
Gosto de pensar que a vida tem o seu tempo, que tudo tem um princípio e um fim e que o fim não é necessariamente mau, é o que tem que ser. E tento aceitar isso. Com a certeza de que continuarás a olhar por mim. Com a promessa de que tudo farei para te continuares a orgulhar de mim e nunca te desiludir.

Minha avozinha querida. Segue em paz, quem sabe um dia nos voltamos a encontrar. Amo-te muito. Amo-te sempre.

Ora se dois mais dois são quatro...

Dizem que más  energias atraem más energias. Que os malucos  reconhecem outros malucos. Que instabilidade puxa instabilidade. E eu acredito que assim é.

Sucede, porém,  que tenho uma forte propensão para me deparar com pessoas toxicas e que transbordam problemas e energias negativas , gente pouco equilibrada  ou mesmo com uma enorme pancada, gente com uma total incapacidade de se pôr no lugar do outro, de ver o outro lado da moeda, de ceder em coisas perfeitamente irrisorias para as questões que estão  em causa mas que acabam por bloquear a resolução das mesmas.
E não  estou a exagerar, é mesmo assim, impressionantemente assim.

Ás vezes penso  que é castigo. Ou karma.
Outras vezes penso que é um sinal para mudar de vida e me dedicar a uma profissão que não  implique lidar com os problemas dos outros, de manhã  à noite (embora nesta  fase dk campeonato não vislumbre  como poderia fazer esta alteração  drástica  de rumo).
Mas o que me deixa verdadeiramente apreensiva e preocupada é  que dizem, e eu acredito, que os malucos reconhecem os outros  malucos e se dois mais dois são  quatro  e os malucos me escolhem sistematicamente para lhes aturar as maluquices...

Porque será?

A cria mais velha hoje estava completamente às aranhas com os constituintes das frases, designadamente com os grupos adverbiais e os grupos preposicionais. Chamou -me. Olhei para aquilo durante 20 minutos. Fiquei na mesma. Pesquisei na net. Parece que é  isto. Perceberam? Nem eu. O meu filho tem 10 anos...

Ah e tal as crianças não gostam da disciplina de Português, não estudam, não sabem nada, não se interessam...

Dois meses e tal depois...

Dois meses  e tal depois de cá ter vindo a ultima vez, eis que estou de volta.

Podia dizer-vos que estive sessenta e tal dias a fazer uma introspecção  profunda, no sentido de conhecer o meu eu interior, o de onde venho e o para onde quero ir. Mas não, não foi o caso. Embora não me tivesse feito mal que assim fosse, dado que em grande parte dos dias me sinto completamente perdida de mim e do que quero aqui andar a fazer e que o sitio para onde mais frequentemente me apetece ir é para o raio que m'a parta...

Podia dizer-vos que estive mais de dois meses a fazer um balanço do ano findo e a definir prioridades para o novo ano. Mas não,  não foi o caso. E ainda bem, que balançar balanço eu o ano todo e se tirar um periodo especificamente para o efeito ainda me esbardalho de vez... Além  disso, e considerando que todas as prioridades/ objectivos que defini para o ano 2014 ficaram por cumprir (ainda não checkei ao detalhe mas palpita-me que quando (se) o fizer chegarei a esta triste conclusão) fazer este balanço iria ter como consequência ir mesmo para o raio que m'a parta. Prioridades para o novo ano.... nao reputo necessário fazer mais comentários  além  de que tenho anos de prioridades em atraso, pelo que vou reciclar...acho.

Podia dizer-vos que estive basicamente assoberbada em trabalho  e mergulhada na rotina asfixiante em que é  a minha vida, todos os dias menos poucos (nuns desses poucos até  dei uma escapadinha a Roma, não à avenida de Lisboa mas à cidade de Itália). Não seria uma falta absoluta à verdade mas não foi isso que me arredou destas paragens.

Foi falta de paciencia, de motivação, de força anímica. Foi preguiça, inércia, não sei. ..

E as coisas que aconteceram durante a minha ausencia?!
Fui a Roma e amei.
A minha cria mais velha, que amo, fez uma década de existência.
O Sócrates foi de choldra. Lamentavelmente não  levou consigo (com ele, entenda-se) alguns comparsas do mundo em que se move (ou movia, que agora tem pouco espaço).
Passou-se mais um Natal, com prendinhas catitas (não posso aqui descrever os meus presentes não vá  algum ressabiado da blogosfera vir acusar -me de ser futil e egoista, com tanta gente a passar fome - o que bem sei ser verdade e muito lamento embora não me pareça que a solução para os problemas do mundo passem por eu não receber ou oferecer prendinhas de Natal ou viver como uma indigente), com episódios familiares de noite de Natal que foram desde um conselho de familia na noite de consoada (em que o arguido era a cria mais nova e o advogado de defesa - brilhante, diga-se - era a cria mais velha) até uma peça de teatro escrita, encenada, coroagrafada, adereçada e representada pelas duas crias, que fizeram tudo sozinhos (tenho uma cria mais nova que é um actor nato, desde que nasceu aliás...), um brilharete.
Deu-se uma passagem de ano, a minha ultima antes de entrar nos "enta". Porra. Que é  para não dizer foda-se, que é  feio e fica mal.
E iniciou-se um ano que promete pois logo no primeiro dia de trabalho estou com uma carraspana daquelas, os senhores do gás vieram trocar o contador e fiquei sem caldeira (ou seja, sem água quente e aquecimento, o que nestes dias fresquinhos não é, diga-se em abono da verdade, grande transtorno), sendo  que felizmente consegui resolver o problema sozinha pois a assistencia tecnica vinha mas não veio), voltou a sair água em barda da cabine de duche (puta que pariu a merda da cabine que qualquer dia passo-me da marmita e parto-a em pedaços e depois ponho os bocadinhos todos a boiar) e a sanita entupiu.

Estou, portanto, de volta, para vos desejar um Feliz Ano Novo.

Queres dar cabo da relação com o teu filho em dois passos? Ajuda-o nos trabalhos de casa e estuda com ele.

A cria mais velha  inicia amanhã  os testes. Os primeiros do quinto ano. E tão diferente que é o quinto ano, por comparação  ao primeiro  ciclo! Trabalhos de casa todos os dias, a todas as disciplinas,  mesmo na véspera dos  testes (um exagero, até ), matéria  que já exige uma certa concentração, memorização e organização,  conceitos  que a minha cria desconhece por completo.
A falta de método de estudo e a ligeireza com que o meu filho trata a coisa tiram-me do sério. Distrai-se com tudo, vai buscar coisas e conversas que além de não terem nada a ver com o que está  (supostamente ) a estudar não  têm relevância  absolutamente  nenhuma, bufa à razao de 100 vezes por minuto, pousa  o lápis cada vez que escreve uma palavra, enfim, um suplício.
Enquanto isso, eu lá  vou hiperventilando para não  me passar e desatar aos gritos e começar a espancá-lo, que é  o que, a espaços,  me dá ganas de fazer.
Estudar com os filhos é  a forma mais rápida  e eficaz de dar cabo da boa relação que temos  com eles, é tão abrasivo e perturbador  que devia ser proibido por lei.

Sábado

Depois de uma semana de trabalho intenso e esgotante, como todas, aliás, eis que chega finalmente o sábado.
Sábado, o primeiro dia do fim de semana,  o dia em que podes dormir até  mais tarde e não  tens horas para nada.
Certo?
Errado.
Sábado, o primeiro dia do fim de semana, o dia em que te levantas à  mesma hora que durante a semana (se não  for mais  cedo) porque os teus  ricos filhos têm  actividades desportivas (vulgo, jogos de futebol) a horas em que até as galinhas dormem.
Quer dizer,  as galinhas sem filhos dormem. As outras, as galinhas mães, não  têm  outra alternativa que não a de levantar o bico da cama de madrugada para levar os pintos. É  o meu caso. E estou capaz  de dar uma bicada a alguém.

Zé Maria, faz-te um homem

Eras para nascer daqui a 8 semanas mas estavas com pressa e nasceste ontem.
É  verdade que não  te queríamos cá  tão  cedo mas fica sabendo que és muito benvindo e que estamos todos aqui a torcer por ti, para que enchas as peles e cresças cá fora o que não conseguiste crescer na barriga da tua mãe.
Ouvi dizer que és um refilão, deves sair à  tua mãe,  que sempre foi uma rabitesa. Pequenota mas rabitesa, tal  como tu...
Sabes Zé  Maria, a tua mãe  é  a prima do meu coração,  a prima de que gosto mais (até  porque não tenho outra), a prima com quem vivi muitas coisas, de quem a vida me afastou no dia-a-dia, por nada de especial, simplesmente porque temos vidas diferentes e fomos seguindo caminhos que não  se cruzam no quotidiano. Mas esse afastamento tem sido só  fisico porque a tua mãe  continua a ser a minha prima do coração e eu do coração dela e isso sempre se manteve e manterá.
Isto para te dizer que quero muito que a tua mãe seja feliz, porque ela merece, e essa felicidade passa agora por ti Zé Maria. Por isso, meu pequeno herói, faz-me um favor e cresce e faz-te um menino forte e saudável.
Não  te posso ver mas estás sempre no meu pensamento. Força  aí  miúdo!

Raios partam a fada!

Hoje, finalmente,  caiu o primeiro dente ao Martim.
O rapaz andava  numa ansiedade, porque os amigos, todos mais novos, já  estão  desdentados há muito e até já têm  dentes definitivos e ele, quase com 8 anos, nada.
Com um dente a abanar desde o verão,  a ansiedade foi aumentando. E as conversas sobre a Fada dos Dentes também.
E como ele acredita na Fada dos Dentes senhores!
A expectativa  tem sido tal que eu, que sou tão  sensivel como um calhau da montanha, não tive coragem de desmistificar a coisa embora tenha sido obrigada, por motivos óbvios, a fazer algumas manobras para o convencer que  Fada dos Dentes só traz  pequenas lembranças (e não  telemóveis  Samsung, I Phones ou Tablets, que foram algumas das opções de pedidos em que a cria estava a ponderar dirigir à  sodona fada), não consegue coisas muito  difíceis  (do género equipamentos completos do Rui Patrício em tamanho 7 anos e de preferencia assinados pelo próprio, que foi outra das ideias que estavam a ser equacionadas ) e nem sempre consegue vir na noite do dia em que o dente cai, pois é  muito atarefada e há muitos  pedidos para atender por isso normalmente  demora 3 a 4 dias, no máximo, embora se o desejo for fácil  de concretizar pode conseguir vir na noite seguinte (chantagem barata, portanto).

E esta, meus caros, foi a parte mais dificil de o convencer, pois se a Fada voa porque é que demora muitos dias? Porque o mundo é  muito grande e há meninos a ficar desdentados pelo mundo inteiro... Mas a Fada não  tem empregados? Não filho, no mundo das Fadas não há  empregados nem patrões e a Fada dos Dentes trabalha sozinha... Ainda tentei passar a mensagem de que achava que a Fada só trazia guloseimas (e ficava resolvido o problema do timming ) mas o Martim foi peremptório. Isso são tretas, se as guloseimas fazem tão mal aos dentes achas que a Fada ia trazer doces aos meninos, que estupidez! Pois...

Hoje à tarde, finalmente, o dente  caiu. Não cabia em si de contentamento  e excitação, o meu Martim, mesmo com a boca cheia de sangue.
E quando se foi deitar, estava em pulgas. E se eu acordar quando a Fada chegar? Não acordas nada, ela tem muita experiência e os meninos nunca acordam. Mas e se eu acordar? Não acordas filho, acho que a Fada deita uns pozinhos quando chega para os meninos durmirem profundamente (felizmente não entrámos  aqui em grandes questões senão nem sei o que me viria à  cabeça). Ai estou tão  nervoso, será  que ela vem hoje? Acho que hoje não filho, sabes, a Fada dos Dentes, e as fadas em geral,  não trabalham ao domingo, estão de folga...De folga? Mas as Fadas também  têm  folgas?! Claro, filho, também têm  que descansar...

E além do mais é  domingo e eu não vou agora  para o shopping de chapéu  na cabeça  e varinha na mão, topas? E além disso tenho que perceber qual o desejo, dos 376 candidatos que chegaram à  fase final , que ganhou a honra de desejo de primeiro dente. Com mil varinhas!

E mais não posso aqui dizer. Mas apetecia-me, ai apetecia-me tanto...


Conselhos práticos para evitar mal-entendidos:

1- O ADVOGADO dorme.
Parece mentira, mas o ADVOGADO também precisa de dormir como qualquer pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele tem telefone em casa, ligue só para o escritório.

2- O ADVOGADO come.
Parece inacreditável, mas é verdade, o ADVOGADO também precisa de se alimentar, e há horas para isso.

3- O ADVOGADO pode ter família.
Essa é a mais incrível de todas: Mesmo sendo um ADVOGADO, enquanto pessoa, precisa de descansar ao fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar sobre processos, audiências, etc.

4- O ADVOGADO precisa de dinheiro.
Por essa não esperava, não é? É surpreendente, mas o ADVOGADO também paga impostos, paga a casa, compra comida, precisa de combustível, roupas, sapatos, remédios, etc.
Pode parecer mentira, mas os livros para actualização profissional, as cotas para a Ordem dos Advogados, os descontos da Segurança Social (CPAS), os cursos de formação contínua, as despesas correntes do escritório e a administração de tudo isto não se pagam com dinheiro que cai do céu. Impressionante, não é? Entendeu agora o motivo porque deve pagar a consulta?

5- Ler, estudar e pesquisar é trabalho.
É trabalho sério. Não se ria que não é piada. E os cinco anos de universidade e mais dois de estágio, foram de borla?

6- Não é possível examinar processos pelo telefone.É preciso comentar?

7- O ADVOGADO não é vidente.
O advogado não se licenciou em Ciências Ocultas, não joga tarôt e nem tem uma bola de cristal. Ele precisa de examinar os documentos que você deixou em casa, assim como consultar o processo para amadurecer ideias e poder superar as expectativas. Se quer um milagre, tente Fátima, bruxos ou macumba e deixe o ADVOGADO em paz.

8- Em reuniões de amigos ou festas de família.
O ADVOGADO deixa de ser ADVOGADO e reassume o seu lugar de amigo ou parente, exactamente como era antes de acabar o curso.
Não lhe peça conselhos sobre como recuperar dinheiro emprestado, intentar uma acção de alimentos, uma acção de despejo de “inquilino” em mora, intuir sobre resultados de um processo. Pior ainda, não lhe peça dicas sobre acções a tomar, após expor-lhe os factos, o lugar é impróprio, não acha?

9- Já tem ADVOGADO?
Então não pergunte ao seu amigo/parente como proceder. O direito não se exerce da mesma forma que se muda um pneu a um carro, cada ADVOGADO tem a sua marca própria de exercício da profissão. Para além de denotar uma falta de educação da sua parte, o mais grave é mesmo a falta de confiança no seu amigo ADVOGADO.

10- O seu ADVOGADO não escreve um papel qualquer.
Qualquer requerimento ou outra peça processual é uma defesa dos seus interesses e tem de ser pensado, estudado, analisado e, é claro, cobrado.
Esses tópicos podem parecer inconcebíveis a uma boa parte da população, mas servem para lhe tornar a vida mais suportável.

11- Quanto ao uso do telemóvel.
O telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Por favor, ligue-lhe apenas se for necessário. Fora do horário de expediente, por muito que duvide, o ADVOGADO pode estar a fazer alguma coisa que todos fazem, como dormir, dar explicações aos filhos, namorar, etc.

12- Nas situações descritas, o ADVOGADO pode atender?
Sim, pode atender desde que seja pago para isso. É desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem um custo adicional, como em qualquer outro tipo de prestação de serviços fora do horário normal. Por favor, não pechinche e fazer cara de semana santa na hora de assinar o cheque não diminui o que tem de pagar.

13- Antes da consulta:
Por favor, marque uma hora. Se não o tiver feito, não ande de um lado para o outro na sala de espera e nem pressione a secretária. Ela não tem culpa da sua ignorância. Ah! E não espere que o ADVOGADO o receba no horário de quem já estava marcado só porque vocês são amigos ou parentes. Só apareça sem marcação se for um caso de urgência e se for fora do horário normal de trabalho. Nestes casos o custo da consulta também será fora do normal, ok?

14- Repetir a mesma pergunta vezes sem conta não vai fazer o ADVOGADO mudar a resposta.
Por favor, repita no máximo três que é para não chatear muito.

15- Quando se diz que o horário de atendimento de manhã é até às 12H00, não significa que pode chegar às 11H55.
Se assim proceder, venha preparado para lhe pagar o almoço ou apareça depois deste. O mesmo vale para a parte da tarde: vá no dia seguinte.

16- Na consulta, basta que esteja presente o cliente e deve responder somente às perguntas feitas pelo ADVOGADO.
Por favor, deixe em casa o cunhado, os amigos do cunhado, os vizinhos com seus respectivos filhos. Não bombardeie o ADVOGADO com milhares de perguntas durante a consulta, pois isso desconcentra-o, além de lhe esvaecer a paciência.

17- Muita ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o processo.
Infelizmente para si, a cada consulta, o ADVOGADO poderá examinar apenas um único caso. Lamentamos informar, mas o outro problema/caso terá que passar por nova consulta, que também deverá ser paga. Dois em um são técnicas de Marketing não de Direito.

18- O ADVOGADO não deixará de cobrar os honorários só porque você já gastou demais no processo.
Os ADVOGADOS não foram os criadores do ditado "O barato sai caro"!!!!. Não foi ele que o procurou, você é que tem um problema que ele sabe resolver.

19- E, finalmente, ADVOGADO também é filho de DEUS e não filho daquilo que você pensa...

Alerta à protecção civil

Lá  fora a chuva cai. A potes. O meu dia de amanhã,  que já  de si se perspectivava um caos, vai ser um dia de alerta laranja. Que merda!
Era só  isto.

Isto normaliza, não se sabe é se antes de eu ser avó.

A redistribuição de processos no citius está a correr a todo o vapor.
Hoje, dia 01 de Outubro, de 238 processos que tenho no citius, 2 já foram redistribuidos aos novos tribunais, 3 são processos novos (e portanto já estão nos novos tribunais) e os restantes 233 estão em tribunais extintos, que é como quem diz, não estão em condições de ser tramitados (devem estar num molho no estacionamento de um qualquer tribunal).
Estão portanto reunidas todas as condições para trabalhar, um mês depois da implementação da reforma do mapa judiciario.
Nada de caos. Transtorno de nada. Puta que os pariu.

Auuuuuuuuuuuu

30 dias depois da implementação do novo mapa judiciário continua  o caos, peço  perdão, o transtorno.
E 30 dias depois do início do caos, peço  perdão,  do transtorno, foi hoje veiculada a noticia de que o ministério da justiça está  a preparar, repito,  a preparar, legislação para suspender os prazos judiciais até  à  normalização do citius.
30 dias depois parece-me de grande responsabilidade  e competência.
E bem vistas  as coisas, considerando  que a normalização do citius ainda é  capaz de estar demorada, ainda se vai muito a tempo. Até  porque o caos,  peço  desculpa, o transtorno não  inviabiliza o funcionamento  dos contentores,  peço  desculpa, dos tribunais.

Ai Paula Paula, só  me apetece é  ganir. Ganir e dar-te na tromba, peço  desculpa, na cara.

Meu querido mês de Agosto.

Em Agosto estava de férias. É bem verdade que não foi um Verão à seria mas não era apanhada em diluvios com sandálias e calças brancas.
Em Agosto as crias não tinham escola, não havia mochilas, nem TPC's, nem educação visual à terça e ginastica à quarta, sapatilhas e lanches e livro A, caderno B, material Y para verificar se estava na mochila.
Em Agosto não havia treinos de futebol à terça,  à quarta e a quinta para uma cria e à quarta a outra hora para a outra cria, que tambem não tinha, em Agosto, natação à quinta.
Em Agosto havia citius, simples, assim, citius.  Não se falava de citius 1, citius 2, citius zero, citius bom e citius mau, seja lá o que isso for. Havia o citius, simplesmente. E funcionava o malandro!
Em Agosto tive tempo para arranjar as unhas, das mãos e dos pés, vejam só o abuso, consegui não pensar,  cada vez que me via ao espelho, que a imagem reflectida era o meu pai,  sim que aquele bigodinho não engana ninguem.

Em Agosto fui tão feliz. Tempos que já lá vão...

Foi assim...

Faz hoje 13 anos...

Faz hoje 13 anos que nos casámos,  que jurámos amor, respeito e fidelidade,  na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,  em todos os dias da nossa vida, até que  morte nos separe.
Faz hoje 13 anos que vivi um dos dias mais felizes da minha vida, um dia em que me diverti à grande.

Guardo na memória, com a sensação de que foi ontem, alguns episódios desse dia, episódios cuja lembrança ainda me faz sorrir.
A linda e profunda frase que o meu pai te disse quando te passou o testemunho (eu) no altar - "Agora estraga-a" é maravilhoso!
O padre a cantar o que parecia ser uma opereta e eu quase a escangalhar-me a rir (está documentado).
A constatação de que os bonecos do bolo eram 10 vezes maiores do que os que tinhamos escolhido (e eram, além disso, um pavor de feios).
E, cereja no topo do bolo, a cara do portageiro quando me viu vestida de noiva, às duas da manhã,  a guiar o carro e sozinha dentro dele. Ele bem espreitava, para ver se estava lá mais alguém mas não, não estava, que tu tinhas ido a guiar o carro da noiva (que era suposto ser levado pela tua mãe) porque a tua mãe não estava à vontade com o carro, que era de mudanças automáticas. Nem nos ocorreu que podiamos ir os dois nesse carro e que a tua mãe pudesse levar o carro em que era suposto nós seguirmos e arranjámos esta brilhante solução: eu fui num carro, sozinha e tu foste com a tua mãe,  noutro carro. Encontrámos-nos à porta de casa dela e então seguimos os dois. Acho, sem querer levantar falsos testemunhos, que estávamos os três com os copos.

Ao longo destes 13 anos amei-te, uns dias mais outros menos, outros com a sensação de que quase nada. Confesso que alturas houve (e certamente haverá mais) em que desejei que fosses trabalhar para o Dubai ou para o Brasil, para me desamparares a loja. Mas mesmo nessas alturas sempre te amei, como vês nunca desejei que fosses para a Sibéria ou para a África profunda. Escusas de me ficar grato.
Ao longo destes 13 anos sempre te respeitei, mesmo quando discutimos aos gritos e com insultos mútuos.  Sim, que nós é de faca e alguidar e à frente de quem for, quem assiste até pensa que a coisa é mais séria do que realmente é. Se calhar somos desequilibrados.  Acho que somos. Os dois. Só um bocadinho.
Ao longo destes 13 anos sempre te fui fiel. Se não tivesse sido também não to ia confessar agora mas para que conste, tenho sido. Mas não durmas na formatura, que isto na vida nada é garantido.

13 anos depois de casarmos, 20 anos depois de nos embrulharmos, cá estamos, felizes e contentes. Diferentes como da noite para o dia (eu do Benfica, tu do Sporting, eu amante de rock, tu de música do aperta-o-papo - a prova provada de que o Rui Veloso, no seu Anel de Rubi, falta à verdade -, eu apreciadora de filmes romanticos, tu de filmes de acção, eu aficionada em livros, tu o mais que lês é o jornal desportivo), mas compatíveis em tudo o que importa, companheiros, amigos, amantes, unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,  até que a morte nos separe. De preferência a tua, que se eu morrer primeiro vou-te fazer muita falta e não quero ver-te sofrer amori mio.

Obrigada por estes 13 anos. Obrigada pelos filhos maravilhosos que me deste. Obrigada por me aturares nas alturas em que sou insuportável. Obrigada por me apoiares sempre, por amares os meus, por estares sempre lá.
Sei que não to digo com a frequência que o mereces,  mas Amo-te.

Regresso de ferias.

Cheguei. Desfiz malas. Lavei uma máquina de roupa. Estendi. Pus outra máquina a lavar. Fui ao supermercado.  Cheguei com as compras e ao poisar o último saco o dito escorregou-me da mão.  Se podia ser o saco da fruta? Se podia ser o saco dos sumos? Podia, mas não era a mesma coisa.  Foi o saco do vinho. Partiu-se uma garrafa.  Vinho por todo o lado. Sacos cheios de vinho. Chão cheio de vinho. Toca de tirar o rodapé dos armarios (sim, que para ser o quadro completo o vinho tinha que ter sido derramado mesmo junto aos armários) e lavar o chão da cozinha. Regresso em grande. 
Vá lá,  enganei-me e comprei vinho branco (que não se bebe cá em casa) em vez de tinto.

Férias Report III

Depois do Allgarve, viemos até Sevilha, para dois dias de Isla Mágica.  Estou que nem posso, de podre. E de gorda, que isto é só comer e beber.
Estava capaz de tirar férias,  para descansar destas férias. Mas não pode ser. Agora tenho que trabalhar para mandar abaixo os quase 3 kg que ganhei nestas férias.  3 kg, valha-me Deus!!!
Cansada e gorda que nem uma vaca, vá,  que nem uma porca, é como me sinto após duas semanas e meia de férias.
As férias só servem para engordar e gastar dinheiro. Logo, devia ser proibido tirar férias...

Férias Report II

As férias no Allgarve acabaram.
Este ano com um tempo mais merdoso que o normal (menos calor e muito mais vento) com poucos banhos de mar (agua GELADA) mas sempre com a mesma animação e amigos à volta (este ano mais perto, já que alguns ficaram na nossa casa).
Amigos lá em casa (clandestinamente, claro está), amigos na casa do lado, amigos noutra casa do resort. Isto para alem dos outros que iam aparecendo para passar o dia. Ocupavámos amiúde parte considerável das espreguiçadeiras da piscina e era ver um grupo grande de gente rodeada por chinelos, toalhas, bóias em forma de pneu e crocodilo e avião, numa grande animação, sempre em festa. Até os funcionários do hotel entravam no espirito de boa disposição e se metiam connosco.

Como diz o meu ilustre marido,  comseguimos transformar qualquer resort de 5 estrelas num acampamento cigano.

Espectacular

Espectacular espectacular é, depois de uma noite de copos em que te deitas às tantas,  acordares um par de horas depois cim o barulho do corta relvas mesmo debaixo da janela.
E pelo tempo que demorou a operação desconfio que se for espreitar tenho os Jardins do Éden à porta.

Férias Report

Pois que estou de ferias, a sul.
O sul continua no mesmo sitio mas este ano com vento e água fria dignos de outras paragens. Que é como quem diz que está uma ventania do catano e que a água do mar está gelada como o raio que a parta, inviabilizando aqueles banhos prolongados que sabem pela vida.
Aliás,  a água do mar está tão fria que no meu caso inviabiliza o banho, prolongado ou não.  Água do mar só para ir fazer um xixi e molhar o corpo até ao pescoço que mergulhar é ficar com o cérebro parado durante 10 minutos e a minha idade ja não me permite essas maluqueiras...

Mas tirando esse pequeno pormenor, tudo corre pelo melhor. Estamos muito bem alojados. Não temos horários para nada, nem para dormir nem para acordar nem para comer. Os miudos continuam iguais a si mesmos, a implicarem constantemente um com o outro e a chamarem por mim a cada 5 minutos. Tudo dentro dos parâmetros, portanto.

Agora vou ali dar um mergulhinho na piscina 'tá?

A princesa Eva

Hoje fomos ver a Eva. Já a tinhamos visto na maternidade mas isso foi quando ela era pequenina. Agora já passaram 10 dias e a Eva já cresceu. Está linda,  rechonchuda, com uns olhos enormes, uma farta cabeleira, uma verdadeira princesa.
A miúda é uma delícia de gira. É a minha sobrinha do coração,  apesar de prima de parentesco.
Porque o amor é isto, algo que sentimos, forte, que as palavras não conseguem exprimir com exactidão.
Muitos parabéns primo-mano. Muitos parabens prima-cunhada. A vossa filha é linda.

Barbas de Talibã

Todos os dias me cruzo com pelo menos um ser humano do sexo masculino com uma barba à talibã, que vá-se lá saber porquê, parece que está na moda.
Caros barbudos de serviço, deixem-me que vos diga que esse tufo de pelo ao redor da cara vos fica mal. E é feio. E pouco higiénico. E deve fazer calor, acumular pó, ácaros e outras bichezas. Não é sexy.
Aposto que parte destes barbudos, ainda por cima, depilam outras partes do corpo que tradicionalmente têm sempre estado cobertas de densa vegetação. Ora vamos lá ver, qual é a logica disso? No pirilau é nojento mas na cara é bonito?
Tenham juízo e cortem a barba pá! Conselho de amiga.


Eu e os aviões

Nunca tive medo de andar de avião. Nunca mesmo. Voo tranquila, durmo na maior, não me assusto nem me enervo com as descolagens nem com as aterragens nem com as poças de ar. Sempre achei que as probabilidades de me acontecer alguma coisa numa viagem de avião era infinitamente menor do que a de ser assolada por uma acidente ou fatalidade na minha vida quotidiana.
Mas isso era dantes.
Agora, com aviões a despenharem-se todos os dias, já não tenho as mesmas certezas de antigamente.
E só por causa disso desmarquei as minhas ferias no Bali e vou antes para os Allgarves, en voiture.


Será que...

Será que o ex-presidente executivo do BES, hoje detido, já tem afvogado constituido?
Ou será que vai brincar aos pobrezinhos e pedir apoio judiciário, na modalidade de nomeação de patrono?

Querida Eva

Querida Eva,
Nasceste. Estou tão feliz que nem imaginas,
Ainda não te vi. Mas ainda assim já gosto tanto de ti.
Sabes, o teu pai é como se fosse meu irmão. Crescemos juntos. Amamos-nos de coração e  mesmo tendo vidas separadas, que temos, nada nunca abalará o que nos une, um amor de irmãos.
A tua avó é como se fosse minha mãe e avó dos meus filhos, teus primos.
O teu avô foi quase meu pai. O teu avô.  Estaria tão feliz se te pudesse ter visto nascer...Tenho tanta pena que a vida não lho tenha permitido.
Por isso tudo, porque amo o teu pai como a um irmão e os teus avós como a uns pais, amo-te a ti quase como a uma filha. E ainda não te vi.
Querida Eva, estou tão feliz que nem imaginas. Passei o dia com lágrimas nos olhos, de tão feliz que estou.
Disse à tua mãe que iria deixar passar uns dias até te ir ver mas não sei se consigo.  Quero ver-te, cheirar-te, abraçar o teu pai e a tua mãe.
Querida Eva, sê muito benvinda.

Eu cá não sou ma-língua. ..

... mas tenho para mim que o Rui Reininho anda a abusar dos estupefacientes.  Que grandes mocas tem o homem aos domingos. Chiça!

Desta safei-me

Afinal parecia pior do que era, só demorámos 45 minutos a chegar à estrada das praias e depois voámos até casa.  Sobrevivi. Mas não arrisco mais.

Desculpem lá, homens da família

Hoje resolvemos vir para a praia a Costa da Caparica.  Quer dizer, eu resolvi, pois os homens cá de casa nem sequer estavam muito nessa. O homem grande porque não em muita paciência para praia fora das férias.  Os homens pequenos porque preferiam ficar por casa e mais tarde ir ao parque jogar à bola. Mas eu estava decidida e então lá viemos todos.
Uma hora para chegar à praia.  Outra hora para estacionar. E duas horas depois de rumarmos à praia lá pusemos os chinelos na areia.
Perto das 19h resolvemos sair da praia.  Mas a fila chegava ao estacionamento.  Voltámos para trás.  Comemos ameijoas e sapateira e bebemos umas caipirinhas.  Às 20h30, mais coisa menos coisa, começámos a ficar com frio (vinhamos vestidos para um dia de praia, não para uma noite de praia), decidimos ir embora. A fila continuava no parque de estacionamento mas agora mais perto da praia, ou seja, ainda pior. Entrámos no carro. Ficámos lá dentro parados e a determinada altura lá nos decidimos a iniciar viagem. Passaram 20 minutos.  Andámos 50 metros (se calhar nem tanto). Talvez pelas 23h esteja na estrada das praias.  Talvez.
Estou caladinha que nem um rato senão o homem grande comete um homicídio nas dunas.

Sem plaquinha é que não!

Estávamos nós a ver a novela, quando se dá o funeral do Fernando. O Fernando foi cremado. A cria mais nova pergunta o que é ser cremado.  Eu explico mais ou menos. E inicia-se o seguinte dialogo:
Martim - Mãe,  tu quando morreres não queres ser cremada pois não?
Eu - Sim quero.
Martim - Porquê?
Eu - Porque não quero ir para baixo da terra.
Martim - Mas depois e os restos de ti que vêm no frasquinho vão para debaixo da terra não é?
Eu - Não filho,  a mãe não quer ir para baixo da terra nem no frasquinho.
Martim - E não vai haver uma plaquinha daquelas com o teu nome?
Eu - Não Martim...
Martim - Olha, assim não,  eu quero a plaquinha!
Eu - Mas para que é que queres a plaquinha?
Martim - Para poder ficar lá sentado ao pé quando tiver saudades tuas e para te ir dar flores...
Eu- Quando tiveres saudades minhas procuras-me no teu coração,  eu vou estar lá (aqui ja eu estava com um nó na garganta)
Martim - E as flores?! Ah, sem plaquinha não...

Que quine ainda vá,  agora SEM PLAQUINHA?!! Isso é que não!

Com quem andará ele a falar?

Ao jantar, dava no telejornal (porque é que chamamos sempre telejornal, eis uma questão para pensarem) uma noticia sobre uma apreensão de haxixe algures neste Portugal.
Ao ouvir a noticia, pergunta a cria mais velha: "ó mãe,  quanta droga podemos ter?"
"Como assim?", pergunto eu.
"Quantas gramas ou kilos de droga podemos ter, com quantos kilos podemos andar? ", pergunta a cria.
"Não podemos, a droga é ilegal, não podemos andar com  droga nenhuma", respondo eu.
"Ah é?  Pensava que podíamos andar com umas gramas, pensei que tinha ouvido dizer isso....", remata a cria com um ar surpreso.

Com quem andará o meu filho a falar?

Martim, o aprendiz de magia

A cria mais nova anda entusiasmada com os truques de magia que uns monitores lá da colónia andam a fazer e hoje chegou a casa determinado a seguir-lhes os passos.
Mas apesar do empenho as coisas não lhe correram como esperava....

Primeiro, munido do baralho de cartas que foi buscar à gaveta, o Martim realizou diversas manobras de baralhar cartas, dividi-las em montinhos e po-las lado a lado. E dizia: "agora vou tirar um 10 de espadas". E saía um dois de copas. Baralhava outra vez, dividia as cartas em montinhos,  colocava-as lado a lado e dizia "agora vou tirar um Ás de copas". E saía um cinco de paus. Fez isto várias vezes, sempre com este resultado,  até que, frustrado e chateadissimo, diz com um ar de quem realmente está incrédulo com a falta de resultados: " Não percebo, eu penso na carta, com tanta força, e não consigo fazer a magia! Como é que eles conseguem mãe? ".
Lá lhe expliquei, tentando não me rir da sua inocência, que essa coisa dos truques de cartas eram isso mesmo, truques,  e que não bastava pensar para as cartas que se escolhiam em pensamento sairem mas ele não ficou muito convencido. 
Então,  do mesmo modo que lhe podia ter dito para ir apanhar o gambuzino que estava na varanda, disse-lhe que tinha que treinar e ir ao youtube aprender os truques. O que eu fui dizer! Jantou num ápice e mal acabou de jantar informou que tinha que se levantar da mesa pois precisava de ir aprender a fazer magia no YouTube.  E foi. Procurou videos e visualizou uns quantos, acompanhando os passos e colocando os videos em pausa a cada movimento de cartas por forma a não perder pitada e não lhe falhar nadinha.
Escusado será dizer que a magia não se deu. E ele, novamente com um ar desfeito,  ia dizendo: "Não percebo, estou a fazer tudo bem, tudo igualzinho, e não consigo...".
Estava ele quase em lágrimas e lá me saiu esta bela ideia: "Não fiques assim filho,  a magia aprende-se, a mãe vai procurar uns cursos de magia para tu aprenderes a fazer truques".

E agora, como é que descalço esta bota?
assim tão simples

Ó meu rico filho!

A cria mais velha teve a infeliz ideia de andar a jogar à bola descalço, num chão que não era certamente de relva. Resultado, tem a sola dos pés cheia de bolhas e mal pode pousar um dos pés no chão.
Consequência,  não pode ir à colónia.
E vai daí está depositado nos avós,  que a malta tem que ir trabalhar e não pode ficar com a cria em casa.

Há pouco, a cria iniciou uma conversa comigo no facebook (modernices). E como iniciou ele a conversa? Com uma série de bonequinhos a mandar beijinhos seguidos da frase I love you.
Ó meu rico filho, I love you too.

É que não valorizam mesmo...

Se está em Touro então é melhor não

Quando uma cliente que tem um problema que se arrasta há anos e que está prestes a resolver-se te diz que não pode formalizar o acordo em determinada semana porque a Lua está em Touro e não é boa altura para acordos, o que dizer? Exacto, fica-se sem palavras.

É isto, a minha vida. Não é espectacular?

&#$*££*@& que pariu

Para não falar aqui de outros problemas que têm assolado a minha vida (e que não são da vossa conta) e do já normal estou-farta-desta-merda-deste-trabalho, eis que os ultimos dias me têm brindado com uma serie de acontecimentos que, digamos, não têm ajudado ao meu bom humor.
Ora vejam só.
Há cerca de 2 semanas, depois de gastar balúrdios a tentar reparar a cabine de banho cá do apartment (que deitava água por todos os lados), chegámos à conclusão que a dita estava podre em alguns dos seus componentes.  Literalmente podre. E vai daí toca de comprar outra cabine.
Pois que vieram cá instalar a cabine e, adivinhem só,  primeira utilização,  primeiro dilúvio.  Água por todos os lados. Pois que estava mal isolado. Isola de novo. Pois que saía água pelos lados. Isola melhor. Pois que saía água por trás.  Muda as bichas (vulgo, tubos) e isola um cadinho mais. Três ou quatro intervenções depois, problema resolvido, cabine a funcionar.

Pensam vocês,  "cabine a funcionar,  banhoca na cabine nova". Errado. A caldeira tem uma síncope.  Dá-lhe o badagaio. Capute. Sem explicação.  Na manhã de sexta feira funciona.  Ao fim do dia de sexta feira está morta. Exacto, sexta feira. Veio o técnico sexta feira às dez da noite mas o problema é da peça.  E à sexta feira à noite não há peças.  E, pasme-se, ao sábado e ao domingo também não.  Fim de semana sem água quente. A tomar banho em casa dos vizinhos. E isto não é em sentido figurado.  Só que os vizinhos, que moram 3 andares abaixo, são amigos da vida. Ainda ontem de manhã vinha eu de roupão, toalha na cabeça e bolsa de higiene na mão,  no regresso da minha banhoca no primeiro andar, quando encontro outro vizinho na escada.  Ficou com ar de quem estava a achar tudo muito estranho mas não disse nada. Foi a sorte dele.

Mas tudo tem solução e ontem à noite o senhor lá veio com a peça e fez a substituição,  os testes, tudo ok. Acabaram-se as incursões na escada em figuras duvidosas. Era não era? Pois era para ser mas não foi. Esta manhã a caldeira voltou a não funcionar. Lá rumei eu ao primeiro andar para a minha banhoca matinal. O técnico voltou. Parece que a peça tinha defeito. Amanhã vem nova peça. Entretanto nova romaria à casa da vizinha logo pela manhã.  

Acrescendo a esta epopeia o facto de andar há mais de uma semana a levantar-me às 7 da manhã e a preparar a marmita para as crias levarem para a colonia de férias (marmita que inclui 2 lanches e um almoço pic nic para cada um praticamente todos os dias, que é como quem diz que ainda mal abri a pestana e já estou a fazer ovos mexidos, a preparar sandes de frango ou a grelhar hamburgueres), a levar os putos à colónia e a voltar para casa para tomar banho e ir trabalhar e aturar pessoas e problemas todo o dia, imaginem só a disposição que me assola.

Se tivesse determinação para meditar este seria o meu mantra.