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Querida Eva

Querida Eva,
Nasceste. Estou tão feliz que nem imaginas,
Ainda não te vi. Mas ainda assim já gosto tanto de ti.
Sabes, o teu pai é como se fosse meu irmão. Crescemos juntos. Amamos-nos de coração e  mesmo tendo vidas separadas, que temos, nada nunca abalará o que nos une, um amor de irmãos.
A tua avó é como se fosse minha mãe e avó dos meus filhos, teus primos.
O teu avô foi quase meu pai. O teu avô.  Estaria tão feliz se te pudesse ter visto nascer...Tenho tanta pena que a vida não lho tenha permitido.
Por isso tudo, porque amo o teu pai como a um irmão e os teus avós como a uns pais, amo-te a ti quase como a uma filha. E ainda não te vi.
Querida Eva, estou tão feliz que nem imaginas. Passei o dia com lágrimas nos olhos, de tão feliz que estou.
Disse à tua mãe que iria deixar passar uns dias até te ir ver mas não sei se consigo.  Quero ver-te, cheirar-te, abraçar o teu pai e a tua mãe.
Querida Eva, sê muito benvinda.

Eu cá não sou ma-língua. ..

... mas tenho para mim que o Rui Reininho anda a abusar dos estupefacientes.  Que grandes mocas tem o homem aos domingos. Chiça!

Desta safei-me

Afinal parecia pior do que era, só demorámos 45 minutos a chegar à estrada das praias e depois voámos até casa.  Sobrevivi. Mas não arrisco mais.

Desculpem lá, homens da família

Hoje resolvemos vir para a praia a Costa da Caparica.  Quer dizer, eu resolvi, pois os homens cá de casa nem sequer estavam muito nessa. O homem grande porque não em muita paciência para praia fora das férias.  Os homens pequenos porque preferiam ficar por casa e mais tarde ir ao parque jogar à bola. Mas eu estava decidida e então lá viemos todos.
Uma hora para chegar à praia.  Outra hora para estacionar. E duas horas depois de rumarmos à praia lá pusemos os chinelos na areia.
Perto das 19h resolvemos sair da praia.  Mas a fila chegava ao estacionamento.  Voltámos para trás.  Comemos ameijoas e sapateira e bebemos umas caipirinhas.  Às 20h30, mais coisa menos coisa, começámos a ficar com frio (vinhamos vestidos para um dia de praia, não para uma noite de praia), decidimos ir embora. A fila continuava no parque de estacionamento mas agora mais perto da praia, ou seja, ainda pior. Entrámos no carro. Ficámos lá dentro parados e a determinada altura lá nos decidimos a iniciar viagem. Passaram 20 minutos.  Andámos 50 metros (se calhar nem tanto). Talvez pelas 23h esteja na estrada das praias.  Talvez.
Estou caladinha que nem um rato senão o homem grande comete um homicídio nas dunas.

Sem plaquinha é que não!

Estávamos nós a ver a novela, quando se dá o funeral do Fernando. O Fernando foi cremado. A cria mais nova pergunta o que é ser cremado.  Eu explico mais ou menos. E inicia-se o seguinte dialogo:
Martim - Mãe,  tu quando morreres não queres ser cremada pois não?
Eu - Sim quero.
Martim - Porquê?
Eu - Porque não quero ir para baixo da terra.
Martim - Mas depois e os restos de ti que vêm no frasquinho vão para debaixo da terra não é?
Eu - Não filho,  a mãe não quer ir para baixo da terra nem no frasquinho.
Martim - E não vai haver uma plaquinha daquelas com o teu nome?
Eu - Não Martim...
Martim - Olha, assim não,  eu quero a plaquinha!
Eu - Mas para que é que queres a plaquinha?
Martim - Para poder ficar lá sentado ao pé quando tiver saudades tuas e para te ir dar flores...
Eu- Quando tiveres saudades minhas procuras-me no teu coração,  eu vou estar lá (aqui ja eu estava com um nó na garganta)
Martim - E as flores?! Ah, sem plaquinha não...

Que quine ainda vá,  agora SEM PLAQUINHA?!! Isso é que não!

Com quem andará ele a falar?

Ao jantar, dava no telejornal (porque é que chamamos sempre telejornal, eis uma questão para pensarem) uma noticia sobre uma apreensão de haxixe algures neste Portugal.
Ao ouvir a noticia, pergunta a cria mais velha: "ó mãe,  quanta droga podemos ter?"
"Como assim?", pergunto eu.
"Quantas gramas ou kilos de droga podemos ter, com quantos kilos podemos andar? ", pergunta a cria.
"Não podemos, a droga é ilegal, não podemos andar com  droga nenhuma", respondo eu.
"Ah é?  Pensava que podíamos andar com umas gramas, pensei que tinha ouvido dizer isso....", remata a cria com um ar surpreso.

Com quem andará o meu filho a falar?

Martim, o aprendiz de magia

A cria mais nova anda entusiasmada com os truques de magia que uns monitores lá da colónia andam a fazer e hoje chegou a casa determinado a seguir-lhes os passos.
Mas apesar do empenho as coisas não lhe correram como esperava....

Primeiro, munido do baralho de cartas que foi buscar à gaveta, o Martim realizou diversas manobras de baralhar cartas, dividi-las em montinhos e po-las lado a lado. E dizia: "agora vou tirar um 10 de espadas". E saía um dois de copas. Baralhava outra vez, dividia as cartas em montinhos,  colocava-as lado a lado e dizia "agora vou tirar um Ás de copas". E saía um cinco de paus. Fez isto várias vezes, sempre com este resultado,  até que, frustrado e chateadissimo, diz com um ar de quem realmente está incrédulo com a falta de resultados: " Não percebo, eu penso na carta, com tanta força, e não consigo fazer a magia! Como é que eles conseguem mãe? ".
Lá lhe expliquei, tentando não me rir da sua inocência, que essa coisa dos truques de cartas eram isso mesmo, truques,  e que não bastava pensar para as cartas que se escolhiam em pensamento sairem mas ele não ficou muito convencido. 
Então,  do mesmo modo que lhe podia ter dito para ir apanhar o gambuzino que estava na varanda, disse-lhe que tinha que treinar e ir ao youtube aprender os truques. O que eu fui dizer! Jantou num ápice e mal acabou de jantar informou que tinha que se levantar da mesa pois precisava de ir aprender a fazer magia no YouTube.  E foi. Procurou videos e visualizou uns quantos, acompanhando os passos e colocando os videos em pausa a cada movimento de cartas por forma a não perder pitada e não lhe falhar nadinha.
Escusado será dizer que a magia não se deu. E ele, novamente com um ar desfeito,  ia dizendo: "Não percebo, estou a fazer tudo bem, tudo igualzinho, e não consigo...".
Estava ele quase em lágrimas e lá me saiu esta bela ideia: "Não fiques assim filho,  a magia aprende-se, a mãe vai procurar uns cursos de magia para tu aprenderes a fazer truques".

E agora, como é que descalço esta bota?
assim tão simples

Ó meu rico filho!

A cria mais velha teve a infeliz ideia de andar a jogar à bola descalço, num chão que não era certamente de relva. Resultado, tem a sola dos pés cheia de bolhas e mal pode pousar um dos pés no chão.
Consequência,  não pode ir à colónia.
E vai daí está depositado nos avós,  que a malta tem que ir trabalhar e não pode ficar com a cria em casa.

Há pouco, a cria iniciou uma conversa comigo no facebook (modernices). E como iniciou ele a conversa? Com uma série de bonequinhos a mandar beijinhos seguidos da frase I love you.
Ó meu rico filho, I love you too.

É que não valorizam mesmo...

Se está em Touro então é melhor não

Quando uma cliente que tem um problema que se arrasta há anos e que está prestes a resolver-se te diz que não pode formalizar o acordo em determinada semana porque a Lua está em Touro e não é boa altura para acordos, o que dizer? Exacto, fica-se sem palavras.

É isto, a minha vida. Não é espectacular?

&#$*££*@& que pariu

Para não falar aqui de outros problemas que têm assolado a minha vida (e que não são da vossa conta) e do já normal estou-farta-desta-merda-deste-trabalho, eis que os ultimos dias me têm brindado com uma serie de acontecimentos que, digamos, não têm ajudado ao meu bom humor.
Ora vejam só.
Há cerca de 2 semanas, depois de gastar balúrdios a tentar reparar a cabine de banho cá do apartment (que deitava água por todos os lados), chegámos à conclusão que a dita estava podre em alguns dos seus componentes.  Literalmente podre. E vai daí toca de comprar outra cabine.
Pois que vieram cá instalar a cabine e, adivinhem só,  primeira utilização,  primeiro dilúvio.  Água por todos os lados. Pois que estava mal isolado. Isola de novo. Pois que saía água pelos lados. Isola melhor. Pois que saía água por trás.  Muda as bichas (vulgo, tubos) e isola um cadinho mais. Três ou quatro intervenções depois, problema resolvido, cabine a funcionar.

Pensam vocês,  "cabine a funcionar,  banhoca na cabine nova". Errado. A caldeira tem uma síncope.  Dá-lhe o badagaio. Capute. Sem explicação.  Na manhã de sexta feira funciona.  Ao fim do dia de sexta feira está morta. Exacto, sexta feira. Veio o técnico sexta feira às dez da noite mas o problema é da peça.  E à sexta feira à noite não há peças.  E, pasme-se, ao sábado e ao domingo também não.  Fim de semana sem água quente. A tomar banho em casa dos vizinhos. E isto não é em sentido figurado.  Só que os vizinhos, que moram 3 andares abaixo, são amigos da vida. Ainda ontem de manhã vinha eu de roupão, toalha na cabeça e bolsa de higiene na mão,  no regresso da minha banhoca no primeiro andar, quando encontro outro vizinho na escada.  Ficou com ar de quem estava a achar tudo muito estranho mas não disse nada. Foi a sorte dele.

Mas tudo tem solução e ontem à noite o senhor lá veio com a peça e fez a substituição,  os testes, tudo ok. Acabaram-se as incursões na escada em figuras duvidosas. Era não era? Pois era para ser mas não foi. Esta manhã a caldeira voltou a não funcionar. Lá rumei eu ao primeiro andar para a minha banhoca matinal. O técnico voltou. Parece que a peça tinha defeito. Amanhã vem nova peça. Entretanto nova romaria à casa da vizinha logo pela manhã.  

Acrescendo a esta epopeia o facto de andar há mais de uma semana a levantar-me às 7 da manhã e a preparar a marmita para as crias levarem para a colonia de férias (marmita que inclui 2 lanches e um almoço pic nic para cada um praticamente todos os dias, que é como quem diz que ainda mal abri a pestana e já estou a fazer ovos mexidos, a preparar sandes de frango ou a grelhar hamburgueres), a levar os putos à colónia e a voltar para casa para tomar banho e ir trabalhar e aturar pessoas e problemas todo o dia, imaginem só a disposição que me assola.

Se tivesse determinação para meditar este seria o meu mantra.

Copa do Guadiana

E cá estamos nós nos algarves, a acompanhar a cria mais velha num torneio de futebol que dura a semana inteira e em que os nossos pequenos jogadores ficam entregues a si próprios,  sem pais. Sozinhos no hotel, com a equipa tecnica, levantam-se, comem, vestem-se, deitam-se, tudo, tudo, tudo sem nós.
Uma semana. Uma experiência fantástica para os nossos meninos. Mais do que os jogos, as vitorias, as derrotas,  as alegrias e as frustrações das derrotas, vale o espirito de equipa, a diversão,  a cumplicidade, o companheirismo

Aproveitem miudos,  divirtam-se muito!

Trinta e todos.

Ontem fiz anos. Trinta e nove. Caramba, ainda ontem tinha vinte e já estou quase a dobrar. Acho que está na altura de me portar como uma mulher crescida. Trinta e todos. Chiça,  que isto passa a voar...

Se há coisa que me enerva...

... é esta mentalidadezinha tuga de merda!

Temos uma selecção que se viu aflita para se qualificar para o mundial, competição que como o próprio nome indica tem como candidatos os paises do mundo, mundo esse que é grande pra caneco. Pelo menos a ultima vez que tive noticias dele era.
Temos uma selecção que na verdade nunca ganhou porra nenhuma  e apenas por uma vez - que me lembre apenas uma vez e numa competição europeia, sendo que tanto quanto sei a europa é mais pequena do que o mundo) esteve perto de ganhar.
Temos uma selecção que não é sequer a melhor dos ultimos anos (não é melhor do que outras que sendo melhores ainda assim não ganharam merda nenhuma).

Mas como temos o Cristiano Ronaldo e gostávamos muito, mas mesmo muito, de ganhar alguma merda para compensar todas as tristezas e crises e troikas e frustrações e o caraito, acham alguns (muitos) que se vai dar uma espécie de milagre e vamos ser campeões do mundo.  De preferência sem derrotas e com goleadas a equipas comprovadamente mais fortes do que nós. Tudo isto porque queremos muito, claro. E merecemos mais do que todos, só porque sim.
E hoje, que perdemos o primeiro jogo, contra a Alemanha, o país está à beira de sair à rua, armado e com espírito de golpe de estado!

Jogámos mal? Jogámos sim senhor. Tivemos azar? Tivemos sim senhor. Podíamos ter feito melhor?  Podiamos sim senhor. Temos capacidade para ir mais além? Talvez tenhamos, talvez não. E somos uma merda por isso? Pois parece que para os infalíveis e exemplares portugueses sim.

Portuguesinhos, metam uma coisa na cabeça: somos um país pequenino, em tamanho (e meus caros, digam o que disserem, o tamanho importa) e em futebol, não somos candidatos ao titulo mundial e perder com a Alemanha não é o fim do mundo. E não é por isso que agora são todos uns merdas, os jogadores e o treinador e o país (quer dizer o país talvez seja mas por razões bem mais estruturais que a exibição da selecção no campeonato do mundo).
O que nos faz uns merdas é esta crença irracional e infundada de que podemos conquistar o mundo, como outrora fizemos (embora não no futebol e numa altura em que o mundo era bem mais pequeno), e a passagem deste estado, em menos de um ai, a um outro que se resume a criticar tudo e todos, em julgar e apontar o dedo aos jogadores e ao treinador (sim, que não há dúvida que eles tinham isto tudo fisgado e fizeram de propósito e devem estar neste momento a festejar a goleada que levaram e a merda de jogo de fizeram, eufóricos por terem conseguido o que mais queriam...).

Ó senhores do povo, tenham lá tino e percam a mania das grandezas,  reduzam-se à insignificância que têm e aprendam a aceitar as limitações lusas. Aprendam a estar com os vossos, não só no bom (que isso é facil) mas no mau, isso é que faz de vocês gente decente.
E se não têm capacidade para isso caguem no futebol e vão trabalhar, que para piorar o que já está mau não são precisos mais, já cá há muitos.

Eu cá estou com a Selecção, incondicionalmente. Viva Portugal. A ganhar ou a levar 4 na pá.

Efectivamente. ..

... não me ocorre melhor programa para a hora de almoço de um sábado em que a temperatura é de 40 graus à sombra do que assistir a um jogo de futebol da cria.
Já pensei e repensei, dei voltas à cabeça e nada, não me ocorre mesmo nada mais agradável e prazenteiro.

Dia de emoções

Hoje o dia foi de emoções. Emoções fortes.
Dia de Festa de Finalistas da cria mais velha, que termina esta primeira etapa da sua vida escolar. A constatação indesmentível de que a cria está a crescer, já não é o nosso bebé mas um pequeno rapazinho que já vai para o 5º ano.
No final da festa, recolhemos à sala de aula, para um pequeno convívio entre alunos, pais e professora. A professora preparou um pequeno filme, com imagens dos pequenos desde o 1º ano (em que, sentados nas cadeiras, mal chegavam com os pés ao chão e ainda eram tão bebés, todos) até agora, à semana passada em que fizeram o passeio de finalistas ao Estuário do Tejo.
E aí é que foram elas! A cria, que não só na inteligência mas também na sensibilidade sai à Mãe, desata num pranto que só visto. Chorava convulsivamente. Porque o ano acaba e vai ter saudades dos colegas e da professora. Porque vai mudar de escola e não segue com os amigos (alguns de uma vida, desde a creche) para a escola de cima, a dos crescidos.Porque tem já tantas saudadas que não consegue conter as emoções. Nem quer contê-las, quer mesmo é chorar como se não houvesse amanhã.

Esta decisão de mudar de escola tem vindo a ser pensada ao logo do ultimo ano, foi discutida entre nós (cria incluída) e foi bem aceite pelo pequeno, que embora demonstrando pena por se separar dos amigos concordou que a opção que lhe propúnhamos era uma boa opção. Inclusivamente temo-lo deixado à vontade para tomar a decisão final, transmitindo-lhe que até ao lavar das cestas é vindima e que se quiser mesmo mesmo continuar na escola essa opção pode ser reanalisada. E ele tem dito sempre que a decisão está tomada, que vai para a outra escola.
Mas a verdade é que as decisões, mesmo livres, por vezes são dolorosas e não é por as tomarmos em consciência e sabermos (ou acharmos) que são as decisões correctas que não sofremos com elas.
Aí está o exemplo. A cria chorava e soluçava. Abraçou vários amigos, a professora, auxiliares e até pais dos amigos com uma tristeza tão profunda que fazia chorar as pedras da calçada. Às tantas chorava eu e chorava o pai, lágrimas a cair pela cara era o quadro familiar.
Ó senhores, porque é que isto é tão dificil! A pergunta inevitável coloca-se: será a decisão certa?

Afinal não foi mau!

Confesso que apesar de não ter dado muita importância aos exames nacionais a que a cria mais velha se submeteu este ano (para não o pressionar e por alguma falta de tempo da minha parte, lamentavelmente), a verdade é que estava um pouco apreensiva quanto aos resultados.

O motivo da minha apreensão prendia-se não só com os exames em geral e com o receio de que, por alguma falta de maturidade ou por efeito dos nervos, a cria se espalhasse ao comprido, mas também com a circunstância de a criatura não estar nem aí e ter despendido muito pouco tempo a estudar para os exames e a fazer as fichas de preparação.  Ainda por cima, quando no final do exame de matemática falámos sobre o que tinha saído,  o primeiro problema de que me falou estava mal resolvido (todo o raciocinio estava bem, as contas estavam bem feitas, mas no fim esqueceu-se de pôr a virgula e acabou com mais 1000 berlindes do que era suposto - claro está wue nem lhe perguntei mais nada, nem ele se adiantou com mais pormenores).

Em suma, ele estava optimista mas eu nem por isso.

Hoje sairam as notas. Teve 70% a lingua portuguesa e 80% a matemática.  Acabou com nota 5 e 4, respectivamente.  O Estudo do Meio também correu bem, notas de 5. A expressao plástica este ano melhorou mas no ultimo teste voltou ao velho Satisfaz (não é dado a trabalhos manuais, está visto).
Ficou todo contente.  E eu também.

Inteligente como a mãe,  é o que é!

Mais Associação, Melhor Educação

Ontem foi dia de festa. Festa da Associação de Pais da escola da cria mais velha,  de cujos órgãos sociais fiz parte nestes ultimos anos. Um ciclo que chegou ao fim e que encerro com um balanço muito positivo, embora com  o sentimento de que podia ter feito mais... mas as forças não chegam para tudo e no fim há sempre alguma coisa que fica para trás.
Nestes anos conheci pessoas muito diferentes de mim mas que como eu acreditam que é possivel fazer, que é possivel conseguir, que é possivel mudar.  Pessoas que, sendo tão diferentes e não se conhecendo de parte nenhuma,  se juntam e trabalham como um todo, de forma completamente gratuita, nos seus tempos livres, em detrimento das suas familias, contra ventos e tempestades. E a verdade é que mudámos algumas coisas e fizémos muitas outras.
Na memória levo momentos intensos (no bom e no mau sentido), reuniões até as tantas, gargalhadas conjuntas, problemas que pouco a pouco fomos superando e problemas que infelizmente não conseguimos resolver e com os quais tivemos que aprender a conviver.
Na memória levo pessoas fantásticas, que trabalharam muito, muito mesmo, a quem aqui agradeço "publicamente": Cristina, Raquel, Anabela, Marina, nada teria sido possível sem o vosso trabalho diario e dedicação,  obrigada por terem dado tudo de vocês. Tudo e mais umas botas, na verdade.
Na memória levo um conjunto de funcionarias de ATL, que com parcos ordenados e condições de trabalho, sempre deram tudo, com dedicação e empenho. Os elogios e agradecimentos dos pais são a prova de que também com a equipa fizémos um bom trabalho e de que a equipa merece os nossos agradecimentos e tudo o que, embora pouco, pudémos fazer por ela.
Na memória levo também uns energumenos que por lá passaram, com o intuito de retirar algum beneficio ou prestigio. A estes nem dispenso palavras, mas também estes vou guardar na memória,  para me lembrar a pessoa que não quero jamais ser, pequenina,  interesseirinha, despotazinha, deslumbrada com o poderzinho de achar que manda em alguma coisa. Como tantos que há por aí.  Cruzes canhoto.
No coração levo esta experiência engrandecedora,  que me colocou frente a frente com realidades de vida tão distantes da minha, que tantos nós me deixou na garganta, que me permitiu fazer sem esperar receber coisa nenhuma, que sem dúvida fez de mim uma pessoa melhor.

No fim, fica a certeza de que não podemos mudar este mundo em que vivemos mas a certeza ainda mais forte de que podemos sem dúvida torná-lo melhor e fazer por isso todos os dias, nas pequenas coisas, dando um pouco de nós,  recebendo um pouco dos outros.
E nas escolas dos nossos filhos podemos concerteza fazê-lo. Temos a obrigação de o fazer.

Obrigada a todos os meus companheiros de viagem. Foi um prazer fazer parte deste projecto.

Dou-vos cabo do couro, ouviram bem?

Até compreendo que pais e mães não ligados à area do Direito fiquem contentes quando os seus filhos resolvem estudar Direito e seguir advocacia. É por tradição uma profissão de algum prestigio, em que existe a possibilidade real de se ganhar algum dinheiro e ter uma vida financeiramente confortável,  embora já não seja o que foi noutros tempos. Mas na verdade nada é o que era e um filho advogado é um filho advogado.
Agora que pais e mães advogados fiquem contentes pelo facto de um filho ou filha lhe seguir os passos é algo me me transcende,  honestamente. Contentes porquê? Qual é o motivo de contentamento?

Os advogados (pelo menos a maioria deles):
- estudam durante uns bons anos (agora menos que antes, por causa do malfadado Tratado de Bolonha), lambem livros atrás de livros, têm disciplinas que não interessam ao demo, para acabar o curso, na maior parte das vezes com médias miseraveis (e com uma miopia,  de tanto ler);
- a seguir ao curso, têm que fazer um estagio obrigatório de dois anos (isto se tudo correr de feição),  a maior parte das vezes não remunerado ou escandalosamente mal remunerado, sendo certo que se quiserem ter alguma hipotese têm que trabalhar arduamente,  muitas horas por dia, muitos fins de semana,  ao mesmo tempo que fazem provas na ordem profissional das quais depende a sua continuação na carreira (de referir que esse estagio na ordem profissional é pago e não é propriamente uma pechincha);
- acabado o estagio, e se abraçarem a profissão,  têm uma vida,  digamos, dura: leis que mudam todos os dias, processos que se arrastam nos tribunais, clientes que fazem tudo mal e depois os procuram para os milagres (esquecendo-se que os mesmos, a terem lugar, devem ser pedidos lá para os lados de Fátima,  a uma tal de Maria,  e não aos senhores doutores), clientes que pensam que os advogados,  além de os representarem num determinado processo ou assunto, são amigos, psicólogos,  confessores,  conselheiros matrimoniais e o diabo a quatro,  clientes que não respeitam dias nem horas e pensam que os advogados não têm familia, não almoçam,  não jantam,  não têm ferias nem fins de semana, não têm contas para pagar, nada, são uns seres que existem pura e simplesmemte para os auxiliar a viver as suas vidas, a troco de uns honorarios que pagam tarde e a más horas e que muitas das vezes, feitas as contas ao tempo despendido,  acabam por ser metade do valor hora de uma empregada doméstica (sem qualquer desprimor para a empregada doméstica);
- trabalham sistematicamente sob pressão, pressão dos prazos (que aparecem a cada esquina,  inviabilizando qualquer tentativa de planificar antecipadamente o dia - planear a semana é, obviamente, uma utopia),  pressão dos clientes (que acham que os advogados só têm em mãos o seu assunto e que se telefonarem assim que acabarem de enviar o email com os documentos que ficaram de enviar há duas semanas o advogado vai parar tudo, imediatamente,  para tratar do seu assunto), pressão  dos próprios assuntos que tratam (que são essencialmente problemas, problemas todo o dia,  todos os dias de todas as semanas de todos os meses de todos os anos);
- têm o azar de nunca despirem a pele de advogados,  nem nos jantares de familia, nem nas festas de aniversario, nem no Natal, nem nos casamentos ou batizados (nos funerais então é a loucura). É verdade, mesmo nessas ocasiões há sempre um familiar, um amigo, um conhecido que tem um problema com o patrão ou o empregado,  um divórcio, um poder paternal, uma divida, um problema no condominio, um cliente que não paga, uma questão de heranças e partilhas, um plasma com um defeito qualquer, e já que estamos ali todos, a velar o morto ou a cantar os parabens e a comer croquetes, aproveita para ter consulta juridica de borla (afinal é só dar uma opiniao e quiçá escrever uma cartinha, como se fosse assim,  meter a ficha e sair a opinião ou a cartinha); isto para não falar dos "amigos" que só se lembram que o advogado existe e é (ou foi) seu amigo quando têm uma duvidazinha juridica ou querem uma opinião (e nao hesitam em ligar, mais uma vez a pedir conselho juridico à borla, até porque são amigos nao obstante não conhecerem os filhos do advogado, não verem o advogado nem falarem com ele há anos, nem sequer para lhe darem os parabéns no aniversário mas já se sabe, a vida é uma correria);
- trabalham que nem uns cães, num trabalho desgastante, sempre a estudar, agarrados a leis e ao computador, e chegam ao final do dia com a cabeça feita em água, sendo que muitas das vezes é impossivel fechar a porta do escritorio e tirar o chip, pois os problemas para resolver,  a definição da estratégia a seguir em determinado processo,  o espectro dos prazos dos dias seguintes não os largam, ficam sempre ali a pairar.
Claro que a profissão também tem coisas boas embora agora de repente não me ocorra nenhuma digna de registo.

Isto tudo para dizer que se algum dos meus filhos, algum dia, tiver a infeliz ideia de querer ser advogado não só leva a maior tareia da sua vida como é expulso de casa. E falo muito a sério.

Vida de mãe. Uma beleza.

Depois de ontem termos chegado a casa à uma da matina, vindos de uma festa digna de registo, hoje às 08 da manhã foi alvorada.  Cria mais velha com torneio de futebol lá para os lados da Penha de França.  Às 09 lá estávamos. Cinco horas (sim CINCO HORAS) depois ficámos despachados. 
Saimos de lá eram praticamente duas da tarde. Trouxemos um amigo da equipa para passar o resto do dia connosco e ficar cá a dormir, até porque amanhã a saga do futebol continua,  a partir das 14h e por um período que suponho ser a tarde inteira. Uma maravilha, portanto.

Fomos almocar e depois de uma hora em casa fomos à rua, jogar à bola. Sim, jogar à bola que os pobrezinhos já não jogavam há muito tempo e estavam a ressacar.
E agora cá estão todos em casa, as minhas crias e o amigo da cria mais velha,  em amena cavaqueira e a portarem-se lindamente.

E o sábado já se foi. Nisto.

Não é emocionante, a minha vida social? Tambem acho...

A arma mais poderosa é o empenho.

Ontem tivemos uma festa organizada pela escola da cria mais velha.
Uma festa solidária,  que visava angariar bens alimentares e de higiene para duas instituições do concelho.
Uma festa que foi o culminar de uma iniciativa promovida por um professor de uma turma de 4 ano (não a da minha cria), sob a epígrafe de Educar para a Cidadania. Mas este professor implicou de tal forma os alunos da sua turma nisto que os alunos implicaram os pais e todos juntos implicaram a escola, que por sua vez implicou os alunos das outras turmas e suas familias, fazendo esta festa.
Meninos de diversas idades, de várias raças e credos, originários de outros paises e culturas, participaram nesta festa. Exibições de karaté e hip hop. Mini sarau de ginastica (fantástico, por sinal). Pais a tocarem acordeão com filhos. Filhos a cantarem com pais. Canções em inglês cantadas pelos meninos, do jardim  de infância ao quarto ano. A turma inteira a cantar um hino à paz, com letra dos alunos e musica dos pais, que acompanharam à guitarra. Musicas de rap compostas e cantadas por alunos, num apelo à paz, solidariedade e ajuda mútua. Uma professora a cantar fado (e bem), acompanhada à guitarra por dois pais. Uma menina de origem ucraniana a cantar uma canção de esperança na sua lingua natal, com o orgulho e comoção dos pais, mesmo sentados à  minha frente.
Uma escola pública, dos subúrbios de Lisboa.
O exemplo que de nem tudo depende de dinheiro e de que a vontade e o empenho são a melhor ferramenta para a acção social e cívica.
A prova provada e comprovada de que as pessoas é fazem a diferença.
Obrigada professor Nuno. Mesmo.

Ri-te enquanto tens dentes.

Hoje, entre uma reportagem que vi na TV sobre um ex jogador de futebol brasileiro que caiu em desgraça e uma passagem de uma novela em que uma vilã é ajudada por uma ex amiga a quem fez a vida negra, veio-me à memoria a situação de uma amiga que já teve tudo o que o dinheiro pode comprar e que actualmente está numa situação muito dificil.
E logo de seguida ocupei os meus pensamentos com uma série de situações parecidas e com outras diferentes mas igualmente (ou mais) destruidoras com as quais, por motivos pessoais ou profissionais, me tenho vindo a cruzar ao longo da minha vida adulta (que antes disso estas coisas passavam-me ao lado).
Pessoas que perdem filhos. Pessoas que perdem empregos e fontes de subsistencia. Pessoas que por azar, destino e até culpa própria perdem tudo. Dinheiro, qualidade de vida, afectos, muitas vezes dignidade.
Tudo isto para concluir o óbvio. Que não podemos dar nada por garantido. Que não somos nada. Que aqueles que julgamos estarem incondicionalmente connosco são os primeiros a dar à sola quando caimos. Que a única coisa que temos certo nesta vida é a morte. Que a vida são dois dias e já nem o Carnaval são três. Que entre o dia em que sem pedir nascemos e o dia em que sem querer quinamos há um intervalo de duração indeterminada e desconhecida, que temos que aprender a aproveitar verdadeiramente.
Porque na vida não há descontos nem prolongamentos e muitas vezes no inicio do jogo vamos logo a penalties.No sistema de morte súbita.

Carpe Diem.

Escusam de agradecer.

Ora aqui está uma informação util, para ambos os géneros pois que ambos agradecem a boa forma do dito coiso.
Depois não digam que eu não sou amiguinha.

De nada.

Nem me cabe um feijao.

Em menos de duas semanas duas pessoas que lidam diariamente com a cria mais nova - a professora de teatro e o motorista da carrinha de transporte escolar - fazem questão de nos transmitir que a mesma é uma criança como nunca se viu, madura,  educada,  humilde, respeitadora,  um menino de ouro.
Ambos dizem que o Martim é um doce de menino e uma criança com valores e posturas que não são usuais na sua idade. A professora de teatro comenta que até já partilhou com o marido.  O rapaz que guia a carrinha deixa escapar que até falou com a namorada sobre o assunto. Ambos nos dão os sentidos Parabéns pelo filho que temos.
Estou que nem posso, de orgulho. Já tinha recebido muitos elogios acerca deste meu filho mas estes foram especialmente eloquentes.
Mas surge-me a duvida: será que a professora de teatro anda metida com o moço da carrinha? Vou investigar...

Não sei o que me deixa mais chocada...

Se a percentagem da abstenção nestas eleições europeias,  que mostra nitidamente que a malta se está a cagar para o país e para a representação do dito na europa (sim, não me venham cá com tretas de que a malta não levantar o cu para ir às urnas, nem que seja para votar em branco ou desenhar uma pilinha,  é uma forma de protestar ou mostrar o seu desagrado, que eu não engulo essa).
Se a extrema direita francesa ter tido os resultados que teve (está tudo doido?! extrema direita?!).
Se o Marinho Pinto ter sido eleito para deputado europeu (senhores, têm consciência do que isto significa? aposto que vão marcar reuniões às escondidas lá em Bruxelas,  para decidirem a melhor maneira de o interditar ou ver reconhecida a sua anomalia psiquica, que este homem não respeita nada nem ninguem, é um fala barato sem a minima consciencia da gravidade das coisas que diz, não obstante de quando em vez acertar uma! E eu que pensar que ja me tinha livrado dele...).

A segunda escolha, já que as cabras não aceitaram as condições

O que me ri a ouvir isto. Embora seja caso para chorar.

Uim uim uim uim uim

Numa outra vida devo ter sido uma sirene. Uma puta duma sirene insuportavel, que apitava como se não houvesse amanhã,  ensurdecendo todos os que viviam à minha volta, fazendo perder o tino a tudo quanto mexia.
Nesta vida tenho a paga. Sou atormentada por alarmes. Os alarmes do prédio das traseiras. Primeiro era o da garagem do prédio das traseiras, que me tirou horas de sono e sobre o qual aqui ja falei. Agora é o de um andar do mesmo predio, que toca de 10 em 10 minutos durante 5 minutos de cada vez desde ontem, noite e dia, dia e noite. É pior que ter um recem nascido chorão em casa. Já nem dou pela criatura do andar de cima, qie também chora como se não houvesse amanhã e tivesse que chorar e berrar tudo hoje. O alarme toca. Não está ninguém em casa. Nao se sabe o contacto dos proprietários.  E o alarme toca. E a gente não dorme. E o alarme toca. E eu já o oiço mesmo nas pausas do toque.  Puta que pariu o alarme. E o prédio.  E o caraito.

Portugal e o racismo

Estou a ver o Prós e Contras,  que hoje aborda o tema do racismo. E meus caros, digam o que disserem, somos um povo racista. Racista e preconceituoso.  Com a mania que não,  que somos tolerantes,  bonzinhos,  o que torna a coisa mais grave.  Porque somos dissimulados. Hipócritas. Falsos.
Brandos costumes o tanas!!

Alive and kicking

Há mais de um mês que não vinha aqui botar prosa. Bem sei que não sentiram a minha falta mas de qualquer forma cá estou eu de volta.

Neste último mês e picos nada de muito relevante aconteceu na minha vida: continuo a trabalhar como gente grande, continuo a andar sempre a correr e sem tempo para nada, continuo a pôr muito pouco os ténis no ginasio (mas  comprei uns tenis novos, cheia de boas intenções), continuo a ser fumadora (mas já comprei um cigarro electronico, para ver se largo o outro, que tão bem me sabe - o outro,  não o electrónico), continuo sem ganhar o euromilhoes (e a jogar esporadicamente no dito), enfim, nada de novo.

Pensando melhor, aconteceram imensas coisas: fui à Disney (à de Paris de França) e amei, andei três vezes seguidas na Space Mountain e a cabeça não me saltou (mas ficou mais baralhada que o costume), passei um fim de semana em Barcelona e também amei, tenho cartão de credito para pagar até à reforma (consequência dos primeiro e terceiro items anteriores), tenho um filho que subitamente cresceu e já fez um exame nacional (hoje), tenho outro filho que é um artista nato e foi convidado pela professora de teatro do colegio para um projecto giro giro no panteão nacional (e que felizmente nao implica que quine, como acontece aos residentes do dito),  apateceu-me uma dor fininha no joanete que promete ficar (maleitas da idade), enfim, só novidades.

Alive and kicking, e isso é que importa!

Quando pensas que não pode ser pior...

Depois de uma segunda feira a fazer adivinhar (mais) uma semana dificil, eis as horas seguintes da mags:

23h40 - Derreada, a mags vai deitar-se e lê um pouco até que é vencida pelo cansaço, arruma o livro e fica a ver televisão. 2 minutos depois a mags dormita.

00h15 - A mags acorda saranpantada, tira os óculos e apaga a TV, por forma a dormir uma bela noite de sono.

00h16 - Espantosamente,  e quando nada o indiciava,  a mags é acometida por uma subita insónia e não consegue dormir, o que faz com que comece a pensar no dia seguinte e no trabalho que a espera.

00h40 (mais coisa menos coisa) - O bebé que habita o andar de cima, recentemente nascido e chegado ao prédio, começa a sua birra diária e berra como se não houvesse amanhã. Raios partam o moço, que passa a vida a chorar e todos os dias faz uma birra nocturna, daquelas que até lhe falta o ar antes de cada golfada de choro, como se suspendesse a respiração a ganhar fôlego para, da próxima vez, gritar ainda mais e mais furiosamente, estão a ver? Pois, é esse choro mesmo, aquele que nos faz ter pensamentos homicidas do tipo "vou lá acima e afogo-o no bidé" ou "se lhe tapar a cabeça com uma almofada talvez se acalme ou então deixe de respirar,  vá, só por um bocadinho..."

01h45 - Depois de a criatura (finalmente) se calar, a mags continua às voltas na cama, sem conseguir dormir,  enquanto o seu homem (o da mags) dorme que nem um passarinho, mas um passarinho de respiração forte e pesada, que não é bem um ressonar mas que depois de 2 horas de insónia e 1 hora de choro da criatura de cima também desperta na mags, a espaços,  instintos assassinos. Finamente, a mags lá adormece. E assim continua,  a dormir o seu sono de princesa, até que às

06h20 - Começa a tocar o alarme da garagem do prédio das traseiras, para as quais dá o quarto da mags. Um som ensurdecedor,  irritante, enervante,  desesperante, que sobressai no silêncio da noite como um pum sobressai no elevador, estão a ver a ideia? Não dá para abstrair.... A mags acorda furiosa e fica a ouvir o filha-da-puta do alarme, que vai não vai toca porque parece que alguém que trabalha por turnos entra ou sai da garagem sem accionar devidamente o mecanismo. Sim, um cabrão qualquer que dia-sim-dia-não brinda a vizinhança com este acordar a horas impróprias e desta maneira que estraga logo o dia.

06h40 - O alarme continua a tocar, cala-se e volta a tocar, cala-se a volta a tocar. A mags e o seu homem estão acordadissimos e a insultar o cabrão filha-da-puta paneleiro do vizinho e do alarme, chamam a policia que isto já dura há meses e estão a pontos de matar alguém. E uma vez que a criancinha do andar de cima já se calou...

06h50- O alarme cala-se mas, no silêncio da noite,  alguém resolve descansar o dedo na campainha da casa da mags. É a policia. Veio dizer que não podem fazer nada pois só podem levantar auto de contra ordenação se o alarme tocar durante 30 minutos, ininterruptamente. Estão a brincar, certo? Errado.

Mags e seu homem traçam um plano: das próximas vezes que isto acontecer voltam, apesar de tudo, a  chamar a policia (desta vez sem dizerem onde moram, para os senhores agentes não virem outra vez repousar o dedo na campainha do palácio durante a madrugada), calçam os tenis e vão tocar a todas campainhas do prédio das traseiras em causa (se a mags não dorme eles também não hão-de dormir, ou pensam que o facto de os seus quartos darem para o outro lado e o alarme não os incomodar por aí além os livra de resolverem o problema, que por acaso existe no predio deles?).
Hoje a mags já foi queixar-se à administração do prédio vizinho, partilhando os seus planos de acordar toda a gente caso o alarme volte a tocar durante uma hora na madrugada e solicitando que resolvam o problema ou desliguem o alarme (até porque se a ideia é prevenir assaltos não parece que tenha muta eficácia pois uma vez que está sempre a tocar já ninguem lhe liga nenhuma a não ser porque não dorme).

Agora a mags vai pôr os ténis e o duffy a jeito e vai deitar-se. E como todas as campainhas são todas as campainhas, talvez a mags acorde, daqui a nadinha, os seus amigos L. E F., que moram no predio do alarme maldito!

Olha, nem de proposito...

Inspira, expira, não pira.

Trabalhar,  trabalhar, trabalhar.  Tem sido esta a minha vida. Tudo urgente. Tudo para ontem. Tanta coisa para amanhã.
Depois de uma semana non stop, sem tempo para nada, sem por os pés no ginasio, sem uma preguiça,  sem um tempinho de ronha, sem um intervalo ou mesmo um abrandar de ritmo, eis que se inicia outra semana, que se adivinha ainda pior. Prazos que não param.  Assuntos (e clientes) que não esperam. Imbróglios em catadupa. Problemas e dramas de manhã à noite, sem hora de almoço ou pausa para lanche.
Fod#$#&, que car#$%=to, é o que me apraz dizer. Estou tão fartinha, tão fartinha senhores!

Queimar tempo que não se tem

Este ano, pela primeira vez na vida, inscrevi-me no sistema de apoio judiciário.
Para quem não sabe, isso implica, entre outras tarefas, que seja nomeada para escalas no Tribunal, a fim de assistir, em diligências judiciais, arguidos que não tenham advogado constituído ou em que o advogado constituído/nomeado oficiosamente se balda à diligência.

Hoje estou de escala. E constato que também aqui há crise: poucos criminosos e nenhuns advogados baldas.

Estou, portanto, a queimar tempo precioso da minha semana porque com a preguiça não trouxe o computador e nem sequer posso ir trabalhando noutras coisas que bem podia ir adiantando, que isto dos tablets é muito giro mas não dá para trabalhar a sério. E se tenho coisas para fazer!

Estou capaz de ir bater à porta do juiz para voluntariamente me submeter a julgamento por estupidez. Ou então para ver se ele me deixa usar o seu computador...

Queimar tempo que não se tem

Este ano, pela primeira vez na vida, inscrevi-me no sistema de apoio judiciário.
Para quem não sabe, isso implica, entre outras tarefas, que seja nomeada para escalas no Tribunal, a fim de assistir, em diligências judiciais, arguidos que não tenham advogado constituído ou em que o advogado constituído/nomeado oficiosamente se balda à diligência.

Hoje estou de escala. E constato que também aqui há crise: poucos criminosos e nenhuns advogados baldas.

Estou, portanto, a queimar tempo precioso da minha semana porque com a preguiça não trouxe o computador e nem sequer posso ir trabalhando noutras coisas que bem podia ir adiantando, que isto dos tablets é muito giro mas não dá para trabalhar a sério. E se tenho coisas para fazer!

Estou capaz de ir bater à porta do juiz para voluntariamente me submeter a julgamento por estupidez. Ou então para ver se ele me deixa usar o seu computador...

Queimar tempo que não se tem

Este ano, pela primeira vez na vida, inscrevi-me no sistema de apoio judiciário.
Para quem não sabe, isso implica, entre outras tarefas, que seja nomeada para escalas no Tribunal, a fim de assistir, em diligências judiciais, arguidos que não tenham advogado constituído ou em que o advogado constituído/nomeado oficiosamente se balda à diligência.

Hoje estou de escala. E constato que também aqui há crise: poucos criminosos e nenhuns advogados baldas.

Estou, portanto, a queimar tempo precioso da minha semana porque com a preguiça não trouxe o computador e nem sequer posso ir trabalhando noutras coisas que bem podia ir adiantando, que isto dos tablets é muito giro mas não dá para trabalhar a sério. E se tenho coisas para fazer!

Estou capaz de ir bater à porta do juiz para voluntariamente me submeter a julgamento por estupidez. Ou então para ver se ele me deixa usar o seu computador...

Queimar tempo que não se tem

Este ano, pela primeira vez na vida, inscrevi-me no sistema de apoio judiciário.
Para quem não sabe, isso implica, entre outras tarefas, que seja nomeada para escalas no Tribunal, a fim de assistir, em diligências judiciais, arguidos que não tenham advogado constituído ou em que o advogado constituído/nomeado oficiosamente se balda à diligência.

Hoje estou de escala. E constato que também aqui há crise: poucos criminosos e nenhuns advogados baldas.

Estou, portanto, a queimar tempo precioso da minha semana porque com a preguiça não trouxe o computador e nem sequer posso ir trabalhando noutras coisas que bem podia ir adiantando, que isto dos tablets é muito giro mas não dá para trabalhar a sério. E se tenho coisas para fazer!

Estou capaz de ir bater à porta do juiz para voluntariamente me submeter a julgamento por estupidez. Ou então para ver se ele me deixa usar o seu computador...

Agora já sei...

Aqui há uns meses coloquei extensões no cabelo. Retirei-as hoje. Agora já sei como se sentem os caniches quando vão à tosquia...

It's a Girl!

Recebi agora a noticia de que o feijão do primo do meu coração é uma menina. Uma menina!
A-D-O-R-O!

É parte de mim que se vai...

Tenho (ainda) um sinal nas costas que me acompanha desde sempre, não sei se desde a nascença mas pelo menos desde que me lembro de mim.
Agendei para hoje a remoção desse sinal, que apesar de pacífico tem vindo a crescer.
Sinto já uma nostalgia pela parte de mim que vai à vida...

Será que parece mal pedir para pôr o sinal num frasquinho com álcool e levá-lo para casa, para não o perder de vez?

Dia do Pai

Confesso que não sou muito dada aos dias instituídos como sendo dias de alguma coisa: Dia do Pai, Dia da Mãe,  Dia da Criança,  Dia da Mulher, entre outros, são dias que não me dizem nada em especial, em que não sinto nenhuma emoção diferente da dos outros dias...

Hoje, Dia do Pai, tal como em todos os outros dias da minha vida, amo o meu Pai.
Hoje, Dia do Pai, tal como em todos os outros dias da minha vida, agradeço ao meu Pai por me ter dado educação,  principios, valores e oportunidades.
Hoje, Dia do Pai, tal como em todos os outros dias da minha vida, peço ao universo que me continue a brindar com a companhia do meu Pai, que lhe dê saúde e muitos anos de vida. Sem doenças.  Com qualidade de vida.
Hoje, Dia do Pai, tal como em todos os outros dias da minha vida, sinto um nó na garganta quando me ponho a pensar que um dia ele me pode faltar.

A única coisa de diferente, hoje, Dia do Pai, é que sinto uma especial compaixão por quem já perdeu o seu Pai, por quem o perdeu antes do tempo aceitável e expectável, por quem nunca o conheceu e por quem, tendo-o, não o tem (o que é capaz de ser o pior dos cenarios).

Neste dia, o meu beijinho vai para o meu pai mas vai também para os filhos sem Pai e para as mães dos filhos que tendo pai não o têm, porque o perderam ou porque ele se perdeu e os deixou perdidos. Essas Mães, que são também Pais, são umas valentes e merecem, também hoje, ser homenageadas.

Tirem esta mulher daqui!

Até agora sempre vivi feliz e contente com a senhora portuguesa do Google Maps do meu telemovel.Apesar de umas calinadas no português, de quando em vez, a senhora expressava-se com um tom de voz agradável, de forma perceptível,  enfim, tudo corria bem entre nós. 
Nada levava a adivinhar que, de um dia para outro, sem justificação ou aviso prévio, a senhora desaparecesse sem deixar rasto, fazendo-se substituir por uma piriguete brasileira que fala com favas na boca e dá entoações às palavras que não lembra a ninguém.
Senhores da Google, considerando que me parece bastante desagradável terem feito esta substituição sem me consultarem ou sem sequer me informarem e atendendo a que nem sequer me entendo com a nova contratação,  agradeço que tirem esta senhora do meu telemovel e me mandem novamente a senhora portuguesa. Agradecida.

É isto!

Tanta roupa e nada para vestir

Tenho ideia de ja ter passado os olhos por um qualquer livro com este título.  Não fui eu que o escrevi.  Mas podia ter sido...
Estava capaz de renovar o meu guarda roupa todinho, de me meter num shopping e só sair de lá dois dias depois, com uma procissão de sacos de trapinhos novos atrás. E sapatos. E malas. E cuecas e soutiens. E pulseiras e fios. E tudo, tudo, tudo. Tudo novo, a estrear. Era um ver-se-te-avias de cortar etiquetas. Era o meu sonho consumista. Era tão bom.
Mas não pode ser, não tenho tempo. Esta semana vai ser de cão (de cão de rua, não de cão de madame, entenda-se). Só por isso, por causa da falta de tempo...

Gosto do meu bairro!

Gosto do movimento.
Gosto de sair de casa, tomar o pequeno almoço no café, cheio de gente, de passar pela papelaria e pelo supermercado, de andar mais meia duzia de passos e comprar alguma coisa que preciso na loja do chinês, de ir ao sapateiro, ao cabeleireiro, ao multibanco,  à farmácia,  à churrasqueira, ao ginásio, tudo sem pegar no carro.

Gosto de ir com os miudos ao parque, eles de bicicleta, eu a pé.  Eu sento-me no banco de jardim a folhear uma revista, eles estacionam a bicicleta e vão jogar à bola. Entretenho-me à conversa com alguem conhecido que passa ou que também está no parque. Os miúdos entretanto já encontraram colegas de escola de um ou de outro e estão entretidos. 
Na volta eles pedalam e esperam por mim no fundo da rua, para atravessarmos todos juntos. Encontramos uns amigos que também moram no bairro e vamos todos lanchar.  Os miudos brincam. Nós conversamos. 
Tenho amigos por perto. Os miudos tambem. Tenho tudo à mão de semear. Sem pegar no carro. A 5 minutos a pé de um centro comercial. A 1 minuto de carro de acessos para todo o lado.
Adoro o meu bairro.
Se me saisse o euromilhoes e pudesse comprar uma mansão na Quinta da Marinha ia ficar triste por deixar o meu bairro. Mas, pensando melhor, com a terapia adequada (terapia dondoca de choque) rapidamente me punha fina.

E ainda há gente que diz que não precisa de ninguém!

Este fim de semana estou sozinha com as crias.
A cria mais velha teve jogo de futebol às 08h30 da manhã, tem uma festa de aniversário em Mafra às 14h30 e outra na Venda do Pinheiro às 16h30.
A cria mais nova tem uma festa de anos dupla na Amadora às 14h00.
Temos todos uma festa de aniversário em Odivelas, a partir das 16h00.

Ora, assim visto de repente,  pareceria um fim de semana de loucos, para a mãe das crias.
Mas como os amigos da cria têm mães e pais fantasticos, a mãe das crias recorreu à ajuda dos ditos para não dar em doida.
Obrigada Patricia por dares boleia à cria mais velha e a levares ao jogo, dispensando assim a cria mais nova de se levantar às 07h30 da manhã.
Obrigada Paulo por dares boleia à cria mais velha e a levares à festa das 14h30, dispensando assim a mãe da cria de andar a correr entre Amadora e Mafra.

Quem tem amigos e pessoas prestáveis à volta tem tudo. E fica assim dispensada de ter um fanico.

Três bon!

Volver by Chakal. Muito bom. Entrada divinal. Prato principal excelente. Vinho maravilhoso. Conpanhia 5 estrelas. Vinho maravilhoso. Ah já falei do vinho?

Ai...

Fui ao ginasio. Aula de GAP e 10 minutos a correr na passadeira (vá,  8). Sauna e jacuzzy. Estou pronta para dormir. Mas não.  Vou jantar fora e dançar até de manhã. Pronto, até meio da noite que já não aguento mais que isso.
E amanhã é outro dia. Estou em crer que é o dis em que vou fazer de morta.

Fomos ao mercado

Eu e o Martim. Tomámos o pequeno almoço e fomos ao mercado. Ele adorou.  Falou com pessoas de todas as bancas,  fez perguntas,  apreciou o amanhar do peixe, fez conversa até mais não. E no final concluiu que gosta mais do mercado só mercado do que do supermercado.

Yes, indeed...

Cool!

Não quero ter mais filhos mas se porventura pensasse nisso iria querer um carrinho destes.

Era ver-me a passear o baby pelo bairro, a subir passeios e com um boné na cabeça.  Com a pala para trás,  pormenor importante...

O máximo,  este carrinho!

Pronto, pronto, não se pode sonhar?!

Tal como prometido a mim mesma, voltei ao ginásio com regularidade. Tenho feito das tripas coração para conseguir ser assidua e tenho conseguido treinar duas a três vezes por semana. Encaro a coisa como se fosse um compromisso inadiável,  uma daquelas reuniões a que não me apetece nada ir mas de que não me posso safar e no fim até se mostra proveitosa.

Estou que nem posso,  com as dores nas pernas. Doem-me músculos que desconhecia existirem em mim. Os glúteos latejam dia e noite. Uma tortura.
E estou em crer que no Verão ja estarei assim.




Pronto, assim assim talvez não.  Assim tal-e-qualinho só se nascer outra vez.... mas posso sonhar, ou não? !