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Queres dar cabo da relação com o teu filho em dois passos? Ajuda-o nos trabalhos de casa e estuda com ele.

A cria mais velha  inicia amanhã  os testes. Os primeiros do quinto ano. E tão diferente que é o quinto ano, por comparação  ao primeiro  ciclo! Trabalhos de casa todos os dias, a todas as disciplinas,  mesmo na véspera dos  testes (um exagero, até ), matéria  que já exige uma certa concentração, memorização e organização,  conceitos  que a minha cria desconhece por completo.
A falta de método de estudo e a ligeireza com que o meu filho trata a coisa tiram-me do sério. Distrai-se com tudo, vai buscar coisas e conversas que além de não terem nada a ver com o que está  (supostamente ) a estudar não  têm relevância  absolutamente  nenhuma, bufa à razao de 100 vezes por minuto, pousa  o lápis cada vez que escreve uma palavra, enfim, um suplício.
Enquanto isso, eu lá  vou hiperventilando para não  me passar e desatar aos gritos e começar a espancá-lo, que é  o que, a espaços,  me dá ganas de fazer.
Estudar com os filhos é  a forma mais rápida  e eficaz de dar cabo da boa relação que temos  com eles, é tão abrasivo e perturbador  que devia ser proibido por lei.

Sábado

Depois de uma semana de trabalho intenso e esgotante, como todas, aliás, eis que chega finalmente o sábado.
Sábado, o primeiro dia do fim de semana,  o dia em que podes dormir até  mais tarde e não  tens horas para nada.
Certo?
Errado.
Sábado, o primeiro dia do fim de semana, o dia em que te levantas à  mesma hora que durante a semana (se não  for mais  cedo) porque os teus  ricos filhos têm  actividades desportivas (vulgo, jogos de futebol) a horas em que até as galinhas dormem.
Quer dizer,  as galinhas sem filhos dormem. As outras, as galinhas mães, não  têm  outra alternativa que não a de levantar o bico da cama de madrugada para levar os pintos. É  o meu caso. E estou capaz  de dar uma bicada a alguém.

Zé Maria, faz-te um homem

Eras para nascer daqui a 8 semanas mas estavas com pressa e nasceste ontem.
É  verdade que não  te queríamos cá  tão  cedo mas fica sabendo que és muito benvindo e que estamos todos aqui a torcer por ti, para que enchas as peles e cresças cá fora o que não conseguiste crescer na barriga da tua mãe.
Ouvi dizer que és um refilão, deves sair à  tua mãe,  que sempre foi uma rabitesa. Pequenota mas rabitesa, tal  como tu...
Sabes Zé  Maria, a tua mãe  é  a prima do meu coração,  a prima de que gosto mais (até  porque não tenho outra), a prima com quem vivi muitas coisas, de quem a vida me afastou no dia-a-dia, por nada de especial, simplesmente porque temos vidas diferentes e fomos seguindo caminhos que não  se cruzam no quotidiano. Mas esse afastamento tem sido só  fisico porque a tua mãe  continua a ser a minha prima do coração e eu do coração dela e isso sempre se manteve e manterá.
Isto para te dizer que quero muito que a tua mãe seja feliz, porque ela merece, e essa felicidade passa agora por ti Zé Maria. Por isso, meu pequeno herói, faz-me um favor e cresce e faz-te um menino forte e saudável.
Não  te posso ver mas estás sempre no meu pensamento. Força  aí  miúdo!

Raios partam a fada!

Hoje, finalmente,  caiu o primeiro dente ao Martim.
O rapaz andava  numa ansiedade, porque os amigos, todos mais novos, já  estão  desdentados há muito e até já têm  dentes definitivos e ele, quase com 8 anos, nada.
Com um dente a abanar desde o verão,  a ansiedade foi aumentando. E as conversas sobre a Fada dos Dentes também.
E como ele acredita na Fada dos Dentes senhores!
A expectativa  tem sido tal que eu, que sou tão  sensivel como um calhau da montanha, não tive coragem de desmistificar a coisa embora tenha sido obrigada, por motivos óbvios, a fazer algumas manobras para o convencer que  Fada dos Dentes só traz  pequenas lembranças (e não  telemóveis  Samsung, I Phones ou Tablets, que foram algumas das opções de pedidos em que a cria estava a ponderar dirigir à  sodona fada), não consegue coisas muito  difíceis  (do género equipamentos completos do Rui Patrício em tamanho 7 anos e de preferencia assinados pelo próprio, que foi outra das ideias que estavam a ser equacionadas ) e nem sempre consegue vir na noite do dia em que o dente cai, pois é  muito atarefada e há muitos  pedidos para atender por isso normalmente  demora 3 a 4 dias, no máximo, embora se o desejo for fácil  de concretizar pode conseguir vir na noite seguinte (chantagem barata, portanto).

E esta, meus caros, foi a parte mais dificil de o convencer, pois se a Fada voa porque é que demora muitos dias? Porque o mundo é  muito grande e há meninos a ficar desdentados pelo mundo inteiro... Mas a Fada não  tem empregados? Não filho, no mundo das Fadas não há  empregados nem patrões e a Fada dos Dentes trabalha sozinha... Ainda tentei passar a mensagem de que achava que a Fada só trazia guloseimas (e ficava resolvido o problema do timming ) mas o Martim foi peremptório. Isso são tretas, se as guloseimas fazem tão mal aos dentes achas que a Fada ia trazer doces aos meninos, que estupidez! Pois...

Hoje à tarde, finalmente, o dente  caiu. Não cabia em si de contentamento  e excitação, o meu Martim, mesmo com a boca cheia de sangue.
E quando se foi deitar, estava em pulgas. E se eu acordar quando a Fada chegar? Não acordas nada, ela tem muita experiência e os meninos nunca acordam. Mas e se eu acordar? Não acordas filho, acho que a Fada deita uns pozinhos quando chega para os meninos durmirem profundamente (felizmente não entrámos  aqui em grandes questões senão nem sei o que me viria à  cabeça). Ai estou tão  nervoso, será  que ela vem hoje? Acho que hoje não filho, sabes, a Fada dos Dentes, e as fadas em geral,  não trabalham ao domingo, estão de folga...De folga? Mas as Fadas também  têm  folgas?! Claro, filho, também têm  que descansar...

E além do mais é  domingo e eu não vou agora  para o shopping de chapéu  na cabeça  e varinha na mão, topas? E além disso tenho que perceber qual o desejo, dos 376 candidatos que chegaram à  fase final , que ganhou a honra de desejo de primeiro dente. Com mil varinhas!

E mais não posso aqui dizer. Mas apetecia-me, ai apetecia-me tanto...


Conselhos práticos para evitar mal-entendidos:

1- O ADVOGADO dorme.
Parece mentira, mas o ADVOGADO também precisa de dormir como qualquer pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele tem telefone em casa, ligue só para o escritório.

2- O ADVOGADO come.
Parece inacreditável, mas é verdade, o ADVOGADO também precisa de se alimentar, e há horas para isso.

3- O ADVOGADO pode ter família.
Essa é a mais incrível de todas: Mesmo sendo um ADVOGADO, enquanto pessoa, precisa de descansar ao fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar sobre processos, audiências, etc.

4- O ADVOGADO precisa de dinheiro.
Por essa não esperava, não é? É surpreendente, mas o ADVOGADO também paga impostos, paga a casa, compra comida, precisa de combustível, roupas, sapatos, remédios, etc.
Pode parecer mentira, mas os livros para actualização profissional, as cotas para a Ordem dos Advogados, os descontos da Segurança Social (CPAS), os cursos de formação contínua, as despesas correntes do escritório e a administração de tudo isto não se pagam com dinheiro que cai do céu. Impressionante, não é? Entendeu agora o motivo porque deve pagar a consulta?

5- Ler, estudar e pesquisar é trabalho.
É trabalho sério. Não se ria que não é piada. E os cinco anos de universidade e mais dois de estágio, foram de borla?

6- Não é possível examinar processos pelo telefone.É preciso comentar?

7- O ADVOGADO não é vidente.
O advogado não se licenciou em Ciências Ocultas, não joga tarôt e nem tem uma bola de cristal. Ele precisa de examinar os documentos que você deixou em casa, assim como consultar o processo para amadurecer ideias e poder superar as expectativas. Se quer um milagre, tente Fátima, bruxos ou macumba e deixe o ADVOGADO em paz.

8- Em reuniões de amigos ou festas de família.
O ADVOGADO deixa de ser ADVOGADO e reassume o seu lugar de amigo ou parente, exactamente como era antes de acabar o curso.
Não lhe peça conselhos sobre como recuperar dinheiro emprestado, intentar uma acção de alimentos, uma acção de despejo de “inquilino” em mora, intuir sobre resultados de um processo. Pior ainda, não lhe peça dicas sobre acções a tomar, após expor-lhe os factos, o lugar é impróprio, não acha?

9- Já tem ADVOGADO?
Então não pergunte ao seu amigo/parente como proceder. O direito não se exerce da mesma forma que se muda um pneu a um carro, cada ADVOGADO tem a sua marca própria de exercício da profissão. Para além de denotar uma falta de educação da sua parte, o mais grave é mesmo a falta de confiança no seu amigo ADVOGADO.

10- O seu ADVOGADO não escreve um papel qualquer.
Qualquer requerimento ou outra peça processual é uma defesa dos seus interesses e tem de ser pensado, estudado, analisado e, é claro, cobrado.
Esses tópicos podem parecer inconcebíveis a uma boa parte da população, mas servem para lhe tornar a vida mais suportável.

11- Quanto ao uso do telemóvel.
O telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Por favor, ligue-lhe apenas se for necessário. Fora do horário de expediente, por muito que duvide, o ADVOGADO pode estar a fazer alguma coisa que todos fazem, como dormir, dar explicações aos filhos, namorar, etc.

12- Nas situações descritas, o ADVOGADO pode atender?
Sim, pode atender desde que seja pago para isso. É desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem um custo adicional, como em qualquer outro tipo de prestação de serviços fora do horário normal. Por favor, não pechinche e fazer cara de semana santa na hora de assinar o cheque não diminui o que tem de pagar.

13- Antes da consulta:
Por favor, marque uma hora. Se não o tiver feito, não ande de um lado para o outro na sala de espera e nem pressione a secretária. Ela não tem culpa da sua ignorância. Ah! E não espere que o ADVOGADO o receba no horário de quem já estava marcado só porque vocês são amigos ou parentes. Só apareça sem marcação se for um caso de urgência e se for fora do horário normal de trabalho. Nestes casos o custo da consulta também será fora do normal, ok?

14- Repetir a mesma pergunta vezes sem conta não vai fazer o ADVOGADO mudar a resposta.
Por favor, repita no máximo três que é para não chatear muito.

15- Quando se diz que o horário de atendimento de manhã é até às 12H00, não significa que pode chegar às 11H55.
Se assim proceder, venha preparado para lhe pagar o almoço ou apareça depois deste. O mesmo vale para a parte da tarde: vá no dia seguinte.

16- Na consulta, basta que esteja presente o cliente e deve responder somente às perguntas feitas pelo ADVOGADO.
Por favor, deixe em casa o cunhado, os amigos do cunhado, os vizinhos com seus respectivos filhos. Não bombardeie o ADVOGADO com milhares de perguntas durante a consulta, pois isso desconcentra-o, além de lhe esvaecer a paciência.

17- Muita ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o processo.
Infelizmente para si, a cada consulta, o ADVOGADO poderá examinar apenas um único caso. Lamentamos informar, mas o outro problema/caso terá que passar por nova consulta, que também deverá ser paga. Dois em um são técnicas de Marketing não de Direito.

18- O ADVOGADO não deixará de cobrar os honorários só porque você já gastou demais no processo.
Os ADVOGADOS não foram os criadores do ditado "O barato sai caro"!!!!. Não foi ele que o procurou, você é que tem um problema que ele sabe resolver.

19- E, finalmente, ADVOGADO também é filho de DEUS e não filho daquilo que você pensa...

Alerta à protecção civil

Lá  fora a chuva cai. A potes. O meu dia de amanhã,  que já  de si se perspectivava um caos, vai ser um dia de alerta laranja. Que merda!
Era só  isto.

Isto normaliza, não se sabe é se antes de eu ser avó.

A redistribuição de processos no citius está a correr a todo o vapor.
Hoje, dia 01 de Outubro, de 238 processos que tenho no citius, 2 já foram redistribuidos aos novos tribunais, 3 são processos novos (e portanto já estão nos novos tribunais) e os restantes 233 estão em tribunais extintos, que é como quem diz, não estão em condições de ser tramitados (devem estar num molho no estacionamento de um qualquer tribunal).
Estão portanto reunidas todas as condições para trabalhar, um mês depois da implementação da reforma do mapa judiciario.
Nada de caos. Transtorno de nada. Puta que os pariu.

Auuuuuuuuuuuu

30 dias depois da implementação do novo mapa judiciário continua  o caos, peço  perdão, o transtorno.
E 30 dias depois do início do caos, peço  perdão,  do transtorno, foi hoje veiculada a noticia de que o ministério da justiça está  a preparar, repito,  a preparar, legislação para suspender os prazos judiciais até  à  normalização do citius.
30 dias depois parece-me de grande responsabilidade  e competência.
E bem vistas  as coisas, considerando  que a normalização do citius ainda é  capaz de estar demorada, ainda se vai muito a tempo. Até  porque o caos,  peço  desculpa, o transtorno não  inviabiliza o funcionamento  dos contentores,  peço  desculpa, dos tribunais.

Ai Paula Paula, só  me apetece é  ganir. Ganir e dar-te na tromba, peço  desculpa, na cara.

Meu querido mês de Agosto.

Em Agosto estava de férias. É bem verdade que não foi um Verão à seria mas não era apanhada em diluvios com sandálias e calças brancas.
Em Agosto as crias não tinham escola, não havia mochilas, nem TPC's, nem educação visual à terça e ginastica à quarta, sapatilhas e lanches e livro A, caderno B, material Y para verificar se estava na mochila.
Em Agosto não havia treinos de futebol à terça,  à quarta e a quinta para uma cria e à quarta a outra hora para a outra cria, que tambem não tinha, em Agosto, natação à quinta.
Em Agosto havia citius, simples, assim, citius.  Não se falava de citius 1, citius 2, citius zero, citius bom e citius mau, seja lá o que isso for. Havia o citius, simplesmente. E funcionava o malandro!
Em Agosto tive tempo para arranjar as unhas, das mãos e dos pés, vejam só o abuso, consegui não pensar,  cada vez que me via ao espelho, que a imagem reflectida era o meu pai,  sim que aquele bigodinho não engana ninguem.

Em Agosto fui tão feliz. Tempos que já lá vão...

Foi assim...

Faz hoje 13 anos...

Faz hoje 13 anos que nos casámos,  que jurámos amor, respeito e fidelidade,  na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,  em todos os dias da nossa vida, até que  morte nos separe.
Faz hoje 13 anos que vivi um dos dias mais felizes da minha vida, um dia em que me diverti à grande.

Guardo na memória, com a sensação de que foi ontem, alguns episódios desse dia, episódios cuja lembrança ainda me faz sorrir.
A linda e profunda frase que o meu pai te disse quando te passou o testemunho (eu) no altar - "Agora estraga-a" é maravilhoso!
O padre a cantar o que parecia ser uma opereta e eu quase a escangalhar-me a rir (está documentado).
A constatação de que os bonecos do bolo eram 10 vezes maiores do que os que tinhamos escolhido (e eram, além disso, um pavor de feios).
E, cereja no topo do bolo, a cara do portageiro quando me viu vestida de noiva, às duas da manhã,  a guiar o carro e sozinha dentro dele. Ele bem espreitava, para ver se estava lá mais alguém mas não, não estava, que tu tinhas ido a guiar o carro da noiva (que era suposto ser levado pela tua mãe) porque a tua mãe não estava à vontade com o carro, que era de mudanças automáticas. Nem nos ocorreu que podiamos ir os dois nesse carro e que a tua mãe pudesse levar o carro em que era suposto nós seguirmos e arranjámos esta brilhante solução: eu fui num carro, sozinha e tu foste com a tua mãe,  noutro carro. Encontrámos-nos à porta de casa dela e então seguimos os dois. Acho, sem querer levantar falsos testemunhos, que estávamos os três com os copos.

Ao longo destes 13 anos amei-te, uns dias mais outros menos, outros com a sensação de que quase nada. Confesso que alturas houve (e certamente haverá mais) em que desejei que fosses trabalhar para o Dubai ou para o Brasil, para me desamparares a loja. Mas mesmo nessas alturas sempre te amei, como vês nunca desejei que fosses para a Sibéria ou para a África profunda. Escusas de me ficar grato.
Ao longo destes 13 anos sempre te respeitei, mesmo quando discutimos aos gritos e com insultos mútuos.  Sim, que nós é de faca e alguidar e à frente de quem for, quem assiste até pensa que a coisa é mais séria do que realmente é. Se calhar somos desequilibrados.  Acho que somos. Os dois. Só um bocadinho.
Ao longo destes 13 anos sempre te fui fiel. Se não tivesse sido também não to ia confessar agora mas para que conste, tenho sido. Mas não durmas na formatura, que isto na vida nada é garantido.

13 anos depois de casarmos, 20 anos depois de nos embrulharmos, cá estamos, felizes e contentes. Diferentes como da noite para o dia (eu do Benfica, tu do Sporting, eu amante de rock, tu de música do aperta-o-papo - a prova provada de que o Rui Veloso, no seu Anel de Rubi, falta à verdade -, eu apreciadora de filmes romanticos, tu de filmes de acção, eu aficionada em livros, tu o mais que lês é o jornal desportivo), mas compatíveis em tudo o que importa, companheiros, amigos, amantes, unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,  até que a morte nos separe. De preferência a tua, que se eu morrer primeiro vou-te fazer muita falta e não quero ver-te sofrer amori mio.

Obrigada por estes 13 anos. Obrigada pelos filhos maravilhosos que me deste. Obrigada por me aturares nas alturas em que sou insuportável. Obrigada por me apoiares sempre, por amares os meus, por estares sempre lá.
Sei que não to digo com a frequência que o mereces,  mas Amo-te.

Regresso de ferias.

Cheguei. Desfiz malas. Lavei uma máquina de roupa. Estendi. Pus outra máquina a lavar. Fui ao supermercado.  Cheguei com as compras e ao poisar o último saco o dito escorregou-me da mão.  Se podia ser o saco da fruta? Se podia ser o saco dos sumos? Podia, mas não era a mesma coisa.  Foi o saco do vinho. Partiu-se uma garrafa.  Vinho por todo o lado. Sacos cheios de vinho. Chão cheio de vinho. Toca de tirar o rodapé dos armarios (sim, que para ser o quadro completo o vinho tinha que ter sido derramado mesmo junto aos armários) e lavar o chão da cozinha. Regresso em grande. 
Vá lá,  enganei-me e comprei vinho branco (que não se bebe cá em casa) em vez de tinto.

Férias Report III

Depois do Allgarve, viemos até Sevilha, para dois dias de Isla Mágica.  Estou que nem posso, de podre. E de gorda, que isto é só comer e beber.
Estava capaz de tirar férias,  para descansar destas férias. Mas não pode ser. Agora tenho que trabalhar para mandar abaixo os quase 3 kg que ganhei nestas férias.  3 kg, valha-me Deus!!!
Cansada e gorda que nem uma vaca, vá,  que nem uma porca, é como me sinto após duas semanas e meia de férias.
As férias só servem para engordar e gastar dinheiro. Logo, devia ser proibido tirar férias...

Férias Report II

As férias no Allgarve acabaram.
Este ano com um tempo mais merdoso que o normal (menos calor e muito mais vento) com poucos banhos de mar (agua GELADA) mas sempre com a mesma animação e amigos à volta (este ano mais perto, já que alguns ficaram na nossa casa).
Amigos lá em casa (clandestinamente, claro está), amigos na casa do lado, amigos noutra casa do resort. Isto para alem dos outros que iam aparecendo para passar o dia. Ocupavámos amiúde parte considerável das espreguiçadeiras da piscina e era ver um grupo grande de gente rodeada por chinelos, toalhas, bóias em forma de pneu e crocodilo e avião, numa grande animação, sempre em festa. Até os funcionários do hotel entravam no espirito de boa disposição e se metiam connosco.

Como diz o meu ilustre marido,  comseguimos transformar qualquer resort de 5 estrelas num acampamento cigano.

Espectacular

Espectacular espectacular é, depois de uma noite de copos em que te deitas às tantas,  acordares um par de horas depois cim o barulho do corta relvas mesmo debaixo da janela.
E pelo tempo que demorou a operação desconfio que se for espreitar tenho os Jardins do Éden à porta.

Férias Report

Pois que estou de ferias, a sul.
O sul continua no mesmo sitio mas este ano com vento e água fria dignos de outras paragens. Que é como quem diz que está uma ventania do catano e que a água do mar está gelada como o raio que a parta, inviabilizando aqueles banhos prolongados que sabem pela vida.
Aliás,  a água do mar está tão fria que no meu caso inviabiliza o banho, prolongado ou não.  Água do mar só para ir fazer um xixi e molhar o corpo até ao pescoço que mergulhar é ficar com o cérebro parado durante 10 minutos e a minha idade ja não me permite essas maluqueiras...

Mas tirando esse pequeno pormenor, tudo corre pelo melhor. Estamos muito bem alojados. Não temos horários para nada, nem para dormir nem para acordar nem para comer. Os miudos continuam iguais a si mesmos, a implicarem constantemente um com o outro e a chamarem por mim a cada 5 minutos. Tudo dentro dos parâmetros, portanto.

Agora vou ali dar um mergulhinho na piscina 'tá?

A princesa Eva

Hoje fomos ver a Eva. Já a tinhamos visto na maternidade mas isso foi quando ela era pequenina. Agora já passaram 10 dias e a Eva já cresceu. Está linda,  rechonchuda, com uns olhos enormes, uma farta cabeleira, uma verdadeira princesa.
A miúda é uma delícia de gira. É a minha sobrinha do coração,  apesar de prima de parentesco.
Porque o amor é isto, algo que sentimos, forte, que as palavras não conseguem exprimir com exactidão.
Muitos parabéns primo-mano. Muitos parabens prima-cunhada. A vossa filha é linda.

Barbas de Talibã

Todos os dias me cruzo com pelo menos um ser humano do sexo masculino com uma barba à talibã, que vá-se lá saber porquê, parece que está na moda.
Caros barbudos de serviço, deixem-me que vos diga que esse tufo de pelo ao redor da cara vos fica mal. E é feio. E pouco higiénico. E deve fazer calor, acumular pó, ácaros e outras bichezas. Não é sexy.
Aposto que parte destes barbudos, ainda por cima, depilam outras partes do corpo que tradicionalmente têm sempre estado cobertas de densa vegetação. Ora vamos lá ver, qual é a logica disso? No pirilau é nojento mas na cara é bonito?
Tenham juízo e cortem a barba pá! Conselho de amiga.


Eu e os aviões

Nunca tive medo de andar de avião. Nunca mesmo. Voo tranquila, durmo na maior, não me assusto nem me enervo com as descolagens nem com as aterragens nem com as poças de ar. Sempre achei que as probabilidades de me acontecer alguma coisa numa viagem de avião era infinitamente menor do que a de ser assolada por uma acidente ou fatalidade na minha vida quotidiana.
Mas isso era dantes.
Agora, com aviões a despenharem-se todos os dias, já não tenho as mesmas certezas de antigamente.
E só por causa disso desmarquei as minhas ferias no Bali e vou antes para os Allgarves, en voiture.


Será que...

Será que o ex-presidente executivo do BES, hoje detido, já tem afvogado constituido?
Ou será que vai brincar aos pobrezinhos e pedir apoio judiciário, na modalidade de nomeação de patrono?

Querida Eva

Querida Eva,
Nasceste. Estou tão feliz que nem imaginas,
Ainda não te vi. Mas ainda assim já gosto tanto de ti.
Sabes, o teu pai é como se fosse meu irmão. Crescemos juntos. Amamos-nos de coração e  mesmo tendo vidas separadas, que temos, nada nunca abalará o que nos une, um amor de irmãos.
A tua avó é como se fosse minha mãe e avó dos meus filhos, teus primos.
O teu avô foi quase meu pai. O teu avô.  Estaria tão feliz se te pudesse ter visto nascer...Tenho tanta pena que a vida não lho tenha permitido.
Por isso tudo, porque amo o teu pai como a um irmão e os teus avós como a uns pais, amo-te a ti quase como a uma filha. E ainda não te vi.
Querida Eva, estou tão feliz que nem imaginas. Passei o dia com lágrimas nos olhos, de tão feliz que estou.
Disse à tua mãe que iria deixar passar uns dias até te ir ver mas não sei se consigo.  Quero ver-te, cheirar-te, abraçar o teu pai e a tua mãe.
Querida Eva, sê muito benvinda.

Eu cá não sou ma-língua. ..

... mas tenho para mim que o Rui Reininho anda a abusar dos estupefacientes.  Que grandes mocas tem o homem aos domingos. Chiça!

Desta safei-me

Afinal parecia pior do que era, só demorámos 45 minutos a chegar à estrada das praias e depois voámos até casa.  Sobrevivi. Mas não arrisco mais.

Desculpem lá, homens da família

Hoje resolvemos vir para a praia a Costa da Caparica.  Quer dizer, eu resolvi, pois os homens cá de casa nem sequer estavam muito nessa. O homem grande porque não em muita paciência para praia fora das férias.  Os homens pequenos porque preferiam ficar por casa e mais tarde ir ao parque jogar à bola. Mas eu estava decidida e então lá viemos todos.
Uma hora para chegar à praia.  Outra hora para estacionar. E duas horas depois de rumarmos à praia lá pusemos os chinelos na areia.
Perto das 19h resolvemos sair da praia.  Mas a fila chegava ao estacionamento.  Voltámos para trás.  Comemos ameijoas e sapateira e bebemos umas caipirinhas.  Às 20h30, mais coisa menos coisa, começámos a ficar com frio (vinhamos vestidos para um dia de praia, não para uma noite de praia), decidimos ir embora. A fila continuava no parque de estacionamento mas agora mais perto da praia, ou seja, ainda pior. Entrámos no carro. Ficámos lá dentro parados e a determinada altura lá nos decidimos a iniciar viagem. Passaram 20 minutos.  Andámos 50 metros (se calhar nem tanto). Talvez pelas 23h esteja na estrada das praias.  Talvez.
Estou caladinha que nem um rato senão o homem grande comete um homicídio nas dunas.

Sem plaquinha é que não!

Estávamos nós a ver a novela, quando se dá o funeral do Fernando. O Fernando foi cremado. A cria mais nova pergunta o que é ser cremado.  Eu explico mais ou menos. E inicia-se o seguinte dialogo:
Martim - Mãe,  tu quando morreres não queres ser cremada pois não?
Eu - Sim quero.
Martim - Porquê?
Eu - Porque não quero ir para baixo da terra.
Martim - Mas depois e os restos de ti que vêm no frasquinho vão para debaixo da terra não é?
Eu - Não filho,  a mãe não quer ir para baixo da terra nem no frasquinho.
Martim - E não vai haver uma plaquinha daquelas com o teu nome?
Eu - Não Martim...
Martim - Olha, assim não,  eu quero a plaquinha!
Eu - Mas para que é que queres a plaquinha?
Martim - Para poder ficar lá sentado ao pé quando tiver saudades tuas e para te ir dar flores...
Eu- Quando tiveres saudades minhas procuras-me no teu coração,  eu vou estar lá (aqui ja eu estava com um nó na garganta)
Martim - E as flores?! Ah, sem plaquinha não...

Que quine ainda vá,  agora SEM PLAQUINHA?!! Isso é que não!

Com quem andará ele a falar?

Ao jantar, dava no telejornal (porque é que chamamos sempre telejornal, eis uma questão para pensarem) uma noticia sobre uma apreensão de haxixe algures neste Portugal.
Ao ouvir a noticia, pergunta a cria mais velha: "ó mãe,  quanta droga podemos ter?"
"Como assim?", pergunto eu.
"Quantas gramas ou kilos de droga podemos ter, com quantos kilos podemos andar? ", pergunta a cria.
"Não podemos, a droga é ilegal, não podemos andar com  droga nenhuma", respondo eu.
"Ah é?  Pensava que podíamos andar com umas gramas, pensei que tinha ouvido dizer isso....", remata a cria com um ar surpreso.

Com quem andará o meu filho a falar?

Martim, o aprendiz de magia

A cria mais nova anda entusiasmada com os truques de magia que uns monitores lá da colónia andam a fazer e hoje chegou a casa determinado a seguir-lhes os passos.
Mas apesar do empenho as coisas não lhe correram como esperava....

Primeiro, munido do baralho de cartas que foi buscar à gaveta, o Martim realizou diversas manobras de baralhar cartas, dividi-las em montinhos e po-las lado a lado. E dizia: "agora vou tirar um 10 de espadas". E saía um dois de copas. Baralhava outra vez, dividia as cartas em montinhos,  colocava-as lado a lado e dizia "agora vou tirar um Ás de copas". E saía um cinco de paus. Fez isto várias vezes, sempre com este resultado,  até que, frustrado e chateadissimo, diz com um ar de quem realmente está incrédulo com a falta de resultados: " Não percebo, eu penso na carta, com tanta força, e não consigo fazer a magia! Como é que eles conseguem mãe? ".
Lá lhe expliquei, tentando não me rir da sua inocência, que essa coisa dos truques de cartas eram isso mesmo, truques,  e que não bastava pensar para as cartas que se escolhiam em pensamento sairem mas ele não ficou muito convencido. 
Então,  do mesmo modo que lhe podia ter dito para ir apanhar o gambuzino que estava na varanda, disse-lhe que tinha que treinar e ir ao youtube aprender os truques. O que eu fui dizer! Jantou num ápice e mal acabou de jantar informou que tinha que se levantar da mesa pois precisava de ir aprender a fazer magia no YouTube.  E foi. Procurou videos e visualizou uns quantos, acompanhando os passos e colocando os videos em pausa a cada movimento de cartas por forma a não perder pitada e não lhe falhar nadinha.
Escusado será dizer que a magia não se deu. E ele, novamente com um ar desfeito,  ia dizendo: "Não percebo, estou a fazer tudo bem, tudo igualzinho, e não consigo...".
Estava ele quase em lágrimas e lá me saiu esta bela ideia: "Não fiques assim filho,  a magia aprende-se, a mãe vai procurar uns cursos de magia para tu aprenderes a fazer truques".

E agora, como é que descalço esta bota?
assim tão simples

Ó meu rico filho!

A cria mais velha teve a infeliz ideia de andar a jogar à bola descalço, num chão que não era certamente de relva. Resultado, tem a sola dos pés cheia de bolhas e mal pode pousar um dos pés no chão.
Consequência,  não pode ir à colónia.
E vai daí está depositado nos avós,  que a malta tem que ir trabalhar e não pode ficar com a cria em casa.

Há pouco, a cria iniciou uma conversa comigo no facebook (modernices). E como iniciou ele a conversa? Com uma série de bonequinhos a mandar beijinhos seguidos da frase I love you.
Ó meu rico filho, I love you too.

É que não valorizam mesmo...

Se está em Touro então é melhor não

Quando uma cliente que tem um problema que se arrasta há anos e que está prestes a resolver-se te diz que não pode formalizar o acordo em determinada semana porque a Lua está em Touro e não é boa altura para acordos, o que dizer? Exacto, fica-se sem palavras.

É isto, a minha vida. Não é espectacular?

&#$*££*@& que pariu

Para não falar aqui de outros problemas que têm assolado a minha vida (e que não são da vossa conta) e do já normal estou-farta-desta-merda-deste-trabalho, eis que os ultimos dias me têm brindado com uma serie de acontecimentos que, digamos, não têm ajudado ao meu bom humor.
Ora vejam só.
Há cerca de 2 semanas, depois de gastar balúrdios a tentar reparar a cabine de banho cá do apartment (que deitava água por todos os lados), chegámos à conclusão que a dita estava podre em alguns dos seus componentes.  Literalmente podre. E vai daí toca de comprar outra cabine.
Pois que vieram cá instalar a cabine e, adivinhem só,  primeira utilização,  primeiro dilúvio.  Água por todos os lados. Pois que estava mal isolado. Isola de novo. Pois que saía água pelos lados. Isola melhor. Pois que saía água por trás.  Muda as bichas (vulgo, tubos) e isola um cadinho mais. Três ou quatro intervenções depois, problema resolvido, cabine a funcionar.

Pensam vocês,  "cabine a funcionar,  banhoca na cabine nova". Errado. A caldeira tem uma síncope.  Dá-lhe o badagaio. Capute. Sem explicação.  Na manhã de sexta feira funciona.  Ao fim do dia de sexta feira está morta. Exacto, sexta feira. Veio o técnico sexta feira às dez da noite mas o problema é da peça.  E à sexta feira à noite não há peças.  E, pasme-se, ao sábado e ao domingo também não.  Fim de semana sem água quente. A tomar banho em casa dos vizinhos. E isto não é em sentido figurado.  Só que os vizinhos, que moram 3 andares abaixo, são amigos da vida. Ainda ontem de manhã vinha eu de roupão, toalha na cabeça e bolsa de higiene na mão,  no regresso da minha banhoca no primeiro andar, quando encontro outro vizinho na escada.  Ficou com ar de quem estava a achar tudo muito estranho mas não disse nada. Foi a sorte dele.

Mas tudo tem solução e ontem à noite o senhor lá veio com a peça e fez a substituição,  os testes, tudo ok. Acabaram-se as incursões na escada em figuras duvidosas. Era não era? Pois era para ser mas não foi. Esta manhã a caldeira voltou a não funcionar. Lá rumei eu ao primeiro andar para a minha banhoca matinal. O técnico voltou. Parece que a peça tinha defeito. Amanhã vem nova peça. Entretanto nova romaria à casa da vizinha logo pela manhã.  

Acrescendo a esta epopeia o facto de andar há mais de uma semana a levantar-me às 7 da manhã e a preparar a marmita para as crias levarem para a colonia de férias (marmita que inclui 2 lanches e um almoço pic nic para cada um praticamente todos os dias, que é como quem diz que ainda mal abri a pestana e já estou a fazer ovos mexidos, a preparar sandes de frango ou a grelhar hamburgueres), a levar os putos à colónia e a voltar para casa para tomar banho e ir trabalhar e aturar pessoas e problemas todo o dia, imaginem só a disposição que me assola.

Se tivesse determinação para meditar este seria o meu mantra.

Copa do Guadiana

E cá estamos nós nos algarves, a acompanhar a cria mais velha num torneio de futebol que dura a semana inteira e em que os nossos pequenos jogadores ficam entregues a si próprios,  sem pais. Sozinhos no hotel, com a equipa tecnica, levantam-se, comem, vestem-se, deitam-se, tudo, tudo, tudo sem nós.
Uma semana. Uma experiência fantástica para os nossos meninos. Mais do que os jogos, as vitorias, as derrotas,  as alegrias e as frustrações das derrotas, vale o espirito de equipa, a diversão,  a cumplicidade, o companheirismo

Aproveitem miudos,  divirtam-se muito!

Trinta e todos.

Ontem fiz anos. Trinta e nove. Caramba, ainda ontem tinha vinte e já estou quase a dobrar. Acho que está na altura de me portar como uma mulher crescida. Trinta e todos. Chiça,  que isto passa a voar...

Se há coisa que me enerva...

... é esta mentalidadezinha tuga de merda!

Temos uma selecção que se viu aflita para se qualificar para o mundial, competição que como o próprio nome indica tem como candidatos os paises do mundo, mundo esse que é grande pra caneco. Pelo menos a ultima vez que tive noticias dele era.
Temos uma selecção que na verdade nunca ganhou porra nenhuma  e apenas por uma vez - que me lembre apenas uma vez e numa competição europeia, sendo que tanto quanto sei a europa é mais pequena do que o mundo) esteve perto de ganhar.
Temos uma selecção que não é sequer a melhor dos ultimos anos (não é melhor do que outras que sendo melhores ainda assim não ganharam merda nenhuma).

Mas como temos o Cristiano Ronaldo e gostávamos muito, mas mesmo muito, de ganhar alguma merda para compensar todas as tristezas e crises e troikas e frustrações e o caraito, acham alguns (muitos) que se vai dar uma espécie de milagre e vamos ser campeões do mundo.  De preferência sem derrotas e com goleadas a equipas comprovadamente mais fortes do que nós. Tudo isto porque queremos muito, claro. E merecemos mais do que todos, só porque sim.
E hoje, que perdemos o primeiro jogo, contra a Alemanha, o país está à beira de sair à rua, armado e com espírito de golpe de estado!

Jogámos mal? Jogámos sim senhor. Tivemos azar? Tivemos sim senhor. Podíamos ter feito melhor?  Podiamos sim senhor. Temos capacidade para ir mais além? Talvez tenhamos, talvez não. E somos uma merda por isso? Pois parece que para os infalíveis e exemplares portugueses sim.

Portuguesinhos, metam uma coisa na cabeça: somos um país pequenino, em tamanho (e meus caros, digam o que disserem, o tamanho importa) e em futebol, não somos candidatos ao titulo mundial e perder com a Alemanha não é o fim do mundo. E não é por isso que agora são todos uns merdas, os jogadores e o treinador e o país (quer dizer o país talvez seja mas por razões bem mais estruturais que a exibição da selecção no campeonato do mundo).
O que nos faz uns merdas é esta crença irracional e infundada de que podemos conquistar o mundo, como outrora fizemos (embora não no futebol e numa altura em que o mundo era bem mais pequeno), e a passagem deste estado, em menos de um ai, a um outro que se resume a criticar tudo e todos, em julgar e apontar o dedo aos jogadores e ao treinador (sim, que não há dúvida que eles tinham isto tudo fisgado e fizeram de propósito e devem estar neste momento a festejar a goleada que levaram e a merda de jogo de fizeram, eufóricos por terem conseguido o que mais queriam...).

Ó senhores do povo, tenham lá tino e percam a mania das grandezas,  reduzam-se à insignificância que têm e aprendam a aceitar as limitações lusas. Aprendam a estar com os vossos, não só no bom (que isso é facil) mas no mau, isso é que faz de vocês gente decente.
E se não têm capacidade para isso caguem no futebol e vão trabalhar, que para piorar o que já está mau não são precisos mais, já cá há muitos.

Eu cá estou com a Selecção, incondicionalmente. Viva Portugal. A ganhar ou a levar 4 na pá.

Efectivamente. ..

... não me ocorre melhor programa para a hora de almoço de um sábado em que a temperatura é de 40 graus à sombra do que assistir a um jogo de futebol da cria.
Já pensei e repensei, dei voltas à cabeça e nada, não me ocorre mesmo nada mais agradável e prazenteiro.

Dia de emoções

Hoje o dia foi de emoções. Emoções fortes.
Dia de Festa de Finalistas da cria mais velha, que termina esta primeira etapa da sua vida escolar. A constatação indesmentível de que a cria está a crescer, já não é o nosso bebé mas um pequeno rapazinho que já vai para o 5º ano.
No final da festa, recolhemos à sala de aula, para um pequeno convívio entre alunos, pais e professora. A professora preparou um pequeno filme, com imagens dos pequenos desde o 1º ano (em que, sentados nas cadeiras, mal chegavam com os pés ao chão e ainda eram tão bebés, todos) até agora, à semana passada em que fizeram o passeio de finalistas ao Estuário do Tejo.
E aí é que foram elas! A cria, que não só na inteligência mas também na sensibilidade sai à Mãe, desata num pranto que só visto. Chorava convulsivamente. Porque o ano acaba e vai ter saudades dos colegas e da professora. Porque vai mudar de escola e não segue com os amigos (alguns de uma vida, desde a creche) para a escola de cima, a dos crescidos.Porque tem já tantas saudadas que não consegue conter as emoções. Nem quer contê-las, quer mesmo é chorar como se não houvesse amanhã.

Esta decisão de mudar de escola tem vindo a ser pensada ao logo do ultimo ano, foi discutida entre nós (cria incluída) e foi bem aceite pelo pequeno, que embora demonstrando pena por se separar dos amigos concordou que a opção que lhe propúnhamos era uma boa opção. Inclusivamente temo-lo deixado à vontade para tomar a decisão final, transmitindo-lhe que até ao lavar das cestas é vindima e que se quiser mesmo mesmo continuar na escola essa opção pode ser reanalisada. E ele tem dito sempre que a decisão está tomada, que vai para a outra escola.
Mas a verdade é que as decisões, mesmo livres, por vezes são dolorosas e não é por as tomarmos em consciência e sabermos (ou acharmos) que são as decisões correctas que não sofremos com elas.
Aí está o exemplo. A cria chorava e soluçava. Abraçou vários amigos, a professora, auxiliares e até pais dos amigos com uma tristeza tão profunda que fazia chorar as pedras da calçada. Às tantas chorava eu e chorava o pai, lágrimas a cair pela cara era o quadro familiar.
Ó senhores, porque é que isto é tão dificil! A pergunta inevitável coloca-se: será a decisão certa?

Afinal não foi mau!

Confesso que apesar de não ter dado muita importância aos exames nacionais a que a cria mais velha se submeteu este ano (para não o pressionar e por alguma falta de tempo da minha parte, lamentavelmente), a verdade é que estava um pouco apreensiva quanto aos resultados.

O motivo da minha apreensão prendia-se não só com os exames em geral e com o receio de que, por alguma falta de maturidade ou por efeito dos nervos, a cria se espalhasse ao comprido, mas também com a circunstância de a criatura não estar nem aí e ter despendido muito pouco tempo a estudar para os exames e a fazer as fichas de preparação.  Ainda por cima, quando no final do exame de matemática falámos sobre o que tinha saído,  o primeiro problema de que me falou estava mal resolvido (todo o raciocinio estava bem, as contas estavam bem feitas, mas no fim esqueceu-se de pôr a virgula e acabou com mais 1000 berlindes do que era suposto - claro está wue nem lhe perguntei mais nada, nem ele se adiantou com mais pormenores).

Em suma, ele estava optimista mas eu nem por isso.

Hoje sairam as notas. Teve 70% a lingua portuguesa e 80% a matemática.  Acabou com nota 5 e 4, respectivamente.  O Estudo do Meio também correu bem, notas de 5. A expressao plástica este ano melhorou mas no ultimo teste voltou ao velho Satisfaz (não é dado a trabalhos manuais, está visto).
Ficou todo contente.  E eu também.

Inteligente como a mãe,  é o que é!

Mais Associação, Melhor Educação

Ontem foi dia de festa. Festa da Associação de Pais da escola da cria mais velha,  de cujos órgãos sociais fiz parte nestes ultimos anos. Um ciclo que chegou ao fim e que encerro com um balanço muito positivo, embora com  o sentimento de que podia ter feito mais... mas as forças não chegam para tudo e no fim há sempre alguma coisa que fica para trás.
Nestes anos conheci pessoas muito diferentes de mim mas que como eu acreditam que é possivel fazer, que é possivel conseguir, que é possivel mudar.  Pessoas que, sendo tão diferentes e não se conhecendo de parte nenhuma,  se juntam e trabalham como um todo, de forma completamente gratuita, nos seus tempos livres, em detrimento das suas familias, contra ventos e tempestades. E a verdade é que mudámos algumas coisas e fizémos muitas outras.
Na memória levo momentos intensos (no bom e no mau sentido), reuniões até as tantas, gargalhadas conjuntas, problemas que pouco a pouco fomos superando e problemas que infelizmente não conseguimos resolver e com os quais tivemos que aprender a conviver.
Na memória levo pessoas fantásticas, que trabalharam muito, muito mesmo, a quem aqui agradeço "publicamente": Cristina, Raquel, Anabela, Marina, nada teria sido possível sem o vosso trabalho diario e dedicação,  obrigada por terem dado tudo de vocês. Tudo e mais umas botas, na verdade.
Na memória levo um conjunto de funcionarias de ATL, que com parcos ordenados e condições de trabalho, sempre deram tudo, com dedicação e empenho. Os elogios e agradecimentos dos pais são a prova de que também com a equipa fizémos um bom trabalho e de que a equipa merece os nossos agradecimentos e tudo o que, embora pouco, pudémos fazer por ela.
Na memória levo também uns energumenos que por lá passaram, com o intuito de retirar algum beneficio ou prestigio. A estes nem dispenso palavras, mas também estes vou guardar na memória,  para me lembrar a pessoa que não quero jamais ser, pequenina,  interesseirinha, despotazinha, deslumbrada com o poderzinho de achar que manda em alguma coisa. Como tantos que há por aí.  Cruzes canhoto.
No coração levo esta experiência engrandecedora,  que me colocou frente a frente com realidades de vida tão distantes da minha, que tantos nós me deixou na garganta, que me permitiu fazer sem esperar receber coisa nenhuma, que sem dúvida fez de mim uma pessoa melhor.

No fim, fica a certeza de que não podemos mudar este mundo em que vivemos mas a certeza ainda mais forte de que podemos sem dúvida torná-lo melhor e fazer por isso todos os dias, nas pequenas coisas, dando um pouco de nós,  recebendo um pouco dos outros.
E nas escolas dos nossos filhos podemos concerteza fazê-lo. Temos a obrigação de o fazer.

Obrigada a todos os meus companheiros de viagem. Foi um prazer fazer parte deste projecto.

Dou-vos cabo do couro, ouviram bem?

Até compreendo que pais e mães não ligados à area do Direito fiquem contentes quando os seus filhos resolvem estudar Direito e seguir advocacia. É por tradição uma profissão de algum prestigio, em que existe a possibilidade real de se ganhar algum dinheiro e ter uma vida financeiramente confortável,  embora já não seja o que foi noutros tempos. Mas na verdade nada é o que era e um filho advogado é um filho advogado.
Agora que pais e mães advogados fiquem contentes pelo facto de um filho ou filha lhe seguir os passos é algo me me transcende,  honestamente. Contentes porquê? Qual é o motivo de contentamento?

Os advogados (pelo menos a maioria deles):
- estudam durante uns bons anos (agora menos que antes, por causa do malfadado Tratado de Bolonha), lambem livros atrás de livros, têm disciplinas que não interessam ao demo, para acabar o curso, na maior parte das vezes com médias miseraveis (e com uma miopia,  de tanto ler);
- a seguir ao curso, têm que fazer um estagio obrigatório de dois anos (isto se tudo correr de feição),  a maior parte das vezes não remunerado ou escandalosamente mal remunerado, sendo certo que se quiserem ter alguma hipotese têm que trabalhar arduamente,  muitas horas por dia, muitos fins de semana,  ao mesmo tempo que fazem provas na ordem profissional das quais depende a sua continuação na carreira (de referir que esse estagio na ordem profissional é pago e não é propriamente uma pechincha);
- acabado o estagio, e se abraçarem a profissão,  têm uma vida,  digamos, dura: leis que mudam todos os dias, processos que se arrastam nos tribunais, clientes que fazem tudo mal e depois os procuram para os milagres (esquecendo-se que os mesmos, a terem lugar, devem ser pedidos lá para os lados de Fátima,  a uma tal de Maria,  e não aos senhores doutores), clientes que pensam que os advogados,  além de os representarem num determinado processo ou assunto, são amigos, psicólogos,  confessores,  conselheiros matrimoniais e o diabo a quatro,  clientes que não respeitam dias nem horas e pensam que os advogados não têm familia, não almoçam,  não jantam,  não têm ferias nem fins de semana, não têm contas para pagar, nada, são uns seres que existem pura e simplesmemte para os auxiliar a viver as suas vidas, a troco de uns honorarios que pagam tarde e a más horas e que muitas das vezes, feitas as contas ao tempo despendido,  acabam por ser metade do valor hora de uma empregada doméstica (sem qualquer desprimor para a empregada doméstica);
- trabalham sistematicamente sob pressão, pressão dos prazos (que aparecem a cada esquina,  inviabilizando qualquer tentativa de planificar antecipadamente o dia - planear a semana é, obviamente, uma utopia),  pressão dos clientes (que acham que os advogados só têm em mãos o seu assunto e que se telefonarem assim que acabarem de enviar o email com os documentos que ficaram de enviar há duas semanas o advogado vai parar tudo, imediatamente,  para tratar do seu assunto), pressão  dos próprios assuntos que tratam (que são essencialmente problemas, problemas todo o dia,  todos os dias de todas as semanas de todos os meses de todos os anos);
- têm o azar de nunca despirem a pele de advogados,  nem nos jantares de familia, nem nas festas de aniversario, nem no Natal, nem nos casamentos ou batizados (nos funerais então é a loucura). É verdade, mesmo nessas ocasiões há sempre um familiar, um amigo, um conhecido que tem um problema com o patrão ou o empregado,  um divórcio, um poder paternal, uma divida, um problema no condominio, um cliente que não paga, uma questão de heranças e partilhas, um plasma com um defeito qualquer, e já que estamos ali todos, a velar o morto ou a cantar os parabens e a comer croquetes, aproveita para ter consulta juridica de borla (afinal é só dar uma opiniao e quiçá escrever uma cartinha, como se fosse assim,  meter a ficha e sair a opinião ou a cartinha); isto para não falar dos "amigos" que só se lembram que o advogado existe e é (ou foi) seu amigo quando têm uma duvidazinha juridica ou querem uma opinião (e nao hesitam em ligar, mais uma vez a pedir conselho juridico à borla, até porque são amigos nao obstante não conhecerem os filhos do advogado, não verem o advogado nem falarem com ele há anos, nem sequer para lhe darem os parabéns no aniversário mas já se sabe, a vida é uma correria);
- trabalham que nem uns cães, num trabalho desgastante, sempre a estudar, agarrados a leis e ao computador, e chegam ao final do dia com a cabeça feita em água, sendo que muitas das vezes é impossivel fechar a porta do escritorio e tirar o chip, pois os problemas para resolver,  a definição da estratégia a seguir em determinado processo,  o espectro dos prazos dos dias seguintes não os largam, ficam sempre ali a pairar.
Claro que a profissão também tem coisas boas embora agora de repente não me ocorra nenhuma digna de registo.

Isto tudo para dizer que se algum dos meus filhos, algum dia, tiver a infeliz ideia de querer ser advogado não só leva a maior tareia da sua vida como é expulso de casa. E falo muito a sério.

Vida de mãe. Uma beleza.

Depois de ontem termos chegado a casa à uma da matina, vindos de uma festa digna de registo, hoje às 08 da manhã foi alvorada.  Cria mais velha com torneio de futebol lá para os lados da Penha de França.  Às 09 lá estávamos. Cinco horas (sim CINCO HORAS) depois ficámos despachados. 
Saimos de lá eram praticamente duas da tarde. Trouxemos um amigo da equipa para passar o resto do dia connosco e ficar cá a dormir, até porque amanhã a saga do futebol continua,  a partir das 14h e por um período que suponho ser a tarde inteira. Uma maravilha, portanto.

Fomos almocar e depois de uma hora em casa fomos à rua, jogar à bola. Sim, jogar à bola que os pobrezinhos já não jogavam há muito tempo e estavam a ressacar.
E agora cá estão todos em casa, as minhas crias e o amigo da cria mais velha,  em amena cavaqueira e a portarem-se lindamente.

E o sábado já se foi. Nisto.

Não é emocionante, a minha vida social? Tambem acho...

A arma mais poderosa é o empenho.

Ontem tivemos uma festa organizada pela escola da cria mais velha.
Uma festa solidária,  que visava angariar bens alimentares e de higiene para duas instituições do concelho.
Uma festa que foi o culminar de uma iniciativa promovida por um professor de uma turma de 4 ano (não a da minha cria), sob a epígrafe de Educar para a Cidadania. Mas este professor implicou de tal forma os alunos da sua turma nisto que os alunos implicaram os pais e todos juntos implicaram a escola, que por sua vez implicou os alunos das outras turmas e suas familias, fazendo esta festa.
Meninos de diversas idades, de várias raças e credos, originários de outros paises e culturas, participaram nesta festa. Exibições de karaté e hip hop. Mini sarau de ginastica (fantástico, por sinal). Pais a tocarem acordeão com filhos. Filhos a cantarem com pais. Canções em inglês cantadas pelos meninos, do jardim  de infância ao quarto ano. A turma inteira a cantar um hino à paz, com letra dos alunos e musica dos pais, que acompanharam à guitarra. Musicas de rap compostas e cantadas por alunos, num apelo à paz, solidariedade e ajuda mútua. Uma professora a cantar fado (e bem), acompanhada à guitarra por dois pais. Uma menina de origem ucraniana a cantar uma canção de esperança na sua lingua natal, com o orgulho e comoção dos pais, mesmo sentados à  minha frente.
Uma escola pública, dos subúrbios de Lisboa.
O exemplo que de nem tudo depende de dinheiro e de que a vontade e o empenho são a melhor ferramenta para a acção social e cívica.
A prova provada e comprovada de que as pessoas é fazem a diferença.
Obrigada professor Nuno. Mesmo.